O eleitor independente: quem é e o que pensa
O Assunto
September 29, 2026
Convidados: Ana Flor, comentarista da GloboNews; e Eduardo Sincofsky, psicólogo, diretor do projeto Plaza Pública e autor do livro “A Polarização no Divã”. Há uma parcela do eleitorado que não está fidelizada a nenhum campo político, candidato ou partido.
Speakers Natuza Nery, Ana Flor, Eduardo Sincofsky
TopicsNews
Natuza Nery (0:03)
Faltam cinco dias para o primeiro turno da eleição presidencial brasileira de 2026 E a essa altura do campeonato, ainda há um eleitor que não se empolga nem com Lula, nem com Flávio Bolsonaro. E, principalmente, não quer mais brigar por causa de política.
SPEAKER_2 (0:19)
Aqueles que não votam sempre do mesmo jeito admitem mudar de ideia de uma eleição para outra e, por essa razão, são especialmente cobiçados em disputas pegadas que, segundo a classificação da Quest, é a morada dos independentes, chamados assim pelo Instituto porque não estão finalizados nem pelo campo da esquerda, nem pelo campo da direita. A Quest estima em cerca de 32% o tamanho dessa parcela do eleitorado. Mas o próprio Instituto alerta. Isso não significa que tenha tudo isso de eleitor pêndulo.
Natuza Nery (0:49)
E há um detalhe importante. A estimativa é que só 10% dos eleitores desse grupo compareçam às urnas este ano. É um eleitor menos ideológico, mais pragmático, e que olha para o que acontece dentro da sua própria casa. O preço da comida, a segurança pública, a saúde, a escola dos filhos, o endividamento. A maioria é formada por mulheres de baixa renda, concentradas nas periferias e regiões metropolitanas, sobretudo no sudeste. Há forte presença de trabalhadoras e trabalhadores autônomos e informais.
Motoristas, entregadoras e entregadores de aplicativo, profissionais da beleza, pequenas empreendedoras.
Gente que valoriza a autonomia, mas que também precisa de crédito, menos burocracia e serviços públicos que funcionem.
SPEAKER_2 (1:37)
E se tamanho é documento na geografia do voto, vamos começar pela capital paulista, que em número de eleitores, mais de 9 milhões, só perde para quatro estados brasileiros. Para entender o peso da cidade no resultado nacional, a gente lembra que, no segundo turno de 2022, Lula teve quase 500 mil votos mais do que Bolsonaro aqui. Ou seja, a capital paulista respondeu sozinha por quase um quarto da vantagem nacional de Lula.
Natuza Nery (2:05)
E é justamente aí que essa eleitora, que esse eleitor, ganha importância. Diante de uma eleição polarizada entre dois campos políticos, pequenas ondulações de voto podem ter efeito grande no resultado final. Eu ainda não tenho meu candidato.
SPEAKER_2 (2:19)
Eu quero ver proposta, sabe?
SPEAKER_3 (2:21)
Eu quero ver o que eles nos trazem.
SPEAKER_4 (2:24)
Então temos ali uma indecisa.
Mas vai votar. Vou votar.
SPEAKER_2 (2:28)
E o que vai motivar esse voto?
SPEAKER_4 (2:30)
O que vocês acham que é o decisivo?
Natuza Nery (2:32)
Em primeiro lugar, a saúde e, em segundo, a educação. Há cinco dias da votação, portanto, a bola não está sequer neste campo e não aparece em nenhum dos dois lados. Está no banco, nas mãos de quem ainda não escolheu qual camisa vestir. Um eleitor ou uma eleitora que pode mudar o jogo, ou simplesmente não entrar em campo no dia 4 de outubro.
Da Redação do G1, eu sou Natusa Neri e o assunto hoje é Quem é e o que pensa o chamado eleitorado independente? Neste episódio, eu converso com Ana Flor, jornalista e comentarista da Globo News, e com Eduardo Sincovski, psicólogo com mais de 30 anos de experiência em pesquisa qualitativa política e diretor do projeto Plaza Pública, terça-feira, 29 de setembro.
Ana, você passou os últimos dois meses percorrendo o Brasil em busca de decifrar quem é essa eleitora, esse eleitor independente. O termo eleitor independente, o eleitor independente vem sendo usado pela Quest para falar de um eleitorado que não está nem ideologicamente, nem emocionalmente ligado a nenhum dos dois candidatos que lideram a disputa, né, Lula e Flávio Bolsonaro. Nas tuas andanças pelo país, o que você descobriu?
Ana Flor (4:02)
Natusa, prazer estar aqui com você. Bom, a gente sabia já de saída que esse eleitor independente pela Quest não era nem preso ou amarrado à direita, nem à esquerda. O que a gente descobriu a partir das reportagens é, na verdade, quase umaogeriza a essa polarização, essa calcificação. Os eleitores independentes hoje estão muito reativos porque viram o desastre em muitas vidas, muitos nas vidas deles, dessa polarização. Então, a gente entrevistou, por exemplo, uma eleitora evangélica em Manaus, que quase destruiu a família a partir das posições muito rígidas, polarizadas, e ao longo dos últimos quatro anos reverteu isso. A gente falou com pessoas em outros estados, ou mesmo um jovem, por exemplo, um jovem que viu colegas que não tiraram o título de eleitor, que já poderiam tirar, porque tem 16 anos, mas que são traumatizados com as brigas da família a partir da polarização.
Você acha que os jovens não estão tão interessados em política porque não se sentem atendidos pelas propostas dos políticos?
SPEAKER_5 (5:14)
É, não se sente atendido, mas também não se sente confortável também, por causa dos traumas, muito mais por causa dos traumas do que pelas propostas políticas.
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