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ESPECIAL ELEIÇÕES: o rumo da economia brasileira depois das urnas

O Assunto

September 28, 2026

Convidado: Léo Arcoverde, repórter especial e comentarista da GloboNews. O IBGE informou que a inflação oficial do país registrou queda de 0,32% nos preços no mês de agosto.

Speakers Natuza Nery, Léo Arcoverde, Armínio Fraga, André Roncalha, Carla Beni, Felipe Salto, Monica de Bolle

TopicsNews

Natuza Nery (0:03)

Eu vou apresentar para você dois dados recentes. O primeiro é este aqui. O IBGE informou que no mês de agosto houve deflação. Ou seja, na média, os preços caíram 0,32%.

O segundo vem agora. A pesquisa Quest da última segunda-feira mostrou que, para dois em cada três eleitores, os preços subiram neste mesmo mês de agosto. Esse é um exemplo claríssimo das contradições da economia brasileira. O país vem ano a ano crescendo em ritmo mais forte do que apontavam analistas, a renda do trabalhador chegou a um patamar recorde e o desemprego está na mínima histórica. E tudo isso com a inflação dentro do teto da meta. Por outro lado, a dívida pública brasileira rompeu o patamar dos 10 trilhões e passou de 82% do PIB.

O endividamento aflige 82% das famílias brasileiras e o país ainda ostenta o maior juro real do mundo. E aí vem a pergunta. O que fazer para manter o país em crescimento e equilibrar o endividamento público e o privado? Para responder a essas e a outras perguntas, vamos apresentar e explicar neste episódio as ideias e propostas dos candidatos à presidência da República. Afinal de contas, esses são os candidatos que você verá nas urnas para decidir seu voto no próximo domingo. Este é o sexto e último episódio de uma série sobre alguns dos temas mais relevantes desta eleição.

Da Redação do G1, eu sou Natuza Neri e o assunto especial de eleições hoje é Um Brasil para 2027, o rumo da economia brasileira depois das urnas. Neste episódio, eu converso com Léo Arcoverde, comentarista da Globo News. Você também vai ouvir comentários de especialistas que conversaram com o nosso produtor Carlos Catelan. São eles, Arminio Fraga, André Roncalha, Carla Bene, Felipe Salto, Marcos Mendes, Mônica de Bolli. Segunda-feira, 28 de setembro.

Léo, eu quero começar nossa conversa olhando para aquele que é apontado como o maior problema da economia brasileira, o tamanho da nossa dívida pública. E aqui, alguns fatos para a gente. Para cada 100 reais que a economia brasileira produz, há uma dívida de quase 82 reais que precisa ser paga. Ou seja, de dinheiro livre, sobra muito pouco. E aí, em termos técnicos, a gente pode dizer que a dívida pública já ultrapassa os 80% do produto interno bruto. Então, é uma mochila carregada demais. É uma mala sem alça muito pesada para qualquer governo carregar. Diante dessa situação, como é que os principais candidatos estão dizendo que vão resolver esse problema, Léo? O que dizem os seus planos de governo?

Léo Arcoverde (2:54)

Bem, Natusa, os principais candidatos, e aqui a gente está falando de Lula e Flávio Bolsonaro, eles se jogam muito mais no campo dos desejos do que da matemática. No caso de Lula, ele fala que a responsabilidade fiscal ele sempre teve, ele falando, claro, dos dois primeiros mandatos, porque neste terceiro mandato de Lula já pegou um histórico que começa no Brasil em 2014 de fazer déficit fiscais, isso aqui é o que? Gastar mais de carrecada. O programa do candidato Lula fala em o crescimento econômico é o que levará à questão do ajuste e à questão da estabilidade das contas públicas. Então, ele não diz exatamente como é que ele vai fazer, vai cortar gastos, vai aumentar imposto, não diz como chegará a essa conta, que pelo menos poderia ser de zero e não comer hoje negativo. Já o caso do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, fala em tesouraço, que ele dá uma palavra no programa dele, só que o tesouraço, não só no programa, mas quando a gente ouve entrevistas, que o Flávio já deu ao longo dessa campanha, ou até mesmo uma das principais assessoras dele nessa área, que é a Daniela Marques, eles não dizem até onde a ponta dessa tesoura vai cortar. Então, eles não falam, o tesouraço que vai levar ao ajuste. Mas o ajuste de quanto? De 50 bilhões no primeiro ano, de 100 bilhões no segundo ano?

SPEAKER_3 (4:00)

A Daniela Marques, ela já vinha atuando informalmente em algumas ajudas, algumas pontes de Flávio Bolsonaro com o mundo econômico. Ela, que é muito ligada a Paulo Guedes, foi sócia dele. No governo, Jair Bolsonaro chegou no Ministério da Economia com uma assessora direta e disse que a ideia é mostrar uma continuidade, de certa maneira, entre o que Jair Bolsonaro fez na economia, na gestão de Paulo Guedes.

SPEAKER_4 (4:31)

Meleia é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento, em redução de burocracia e impostos.

SPEAKER_5 (4:41)

Com o anúncio feito pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, o INDEC, que seria equivalente no Brasil ao IBGE, que sustenta que a proporção de pobres, que era de 28,2% no segundo semestre do ano passado, subiu para 32,3% no primeiro semestre deste ano. Quer dizer, em apenas seis meses, em apenas seis meses, dois milhões de pessoas deixaram de ser classe média e despencaram para a classe baixa, se tornaram pobres. A miséria extrema também aumentou e essa proporção subiu de 6,3% para 7,5%.

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