Desembargador do Amazonas defende que declaração de suspeição fortalece instituições da Justiça
Portal CM7
September 16, 2026
Amazonas - O desembargador do Amazonas Flávio Pascarelli defende que a declaração de suspeição por parte de magistrados deve ser compreendida como um ato de responsabilidade e de fortalecimento das instituições da Justiça. A avaliação foi publicada em artigo de opinião na Folha de S.Paulo...
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Amazonas, o desembargador do Amazonas, Flávio Pascarelli, defende que a declaração de suspeição por parte de magistrados deve ser compreendida como um ato de responsabilidade e de fortalecimento das instituições da justiça. A avaliação foi publicada em artigo de opinião na Folha de São Paulo, nesta terça-feira, 15 Segundo Pascarelli, existe uma percepção de que declarar-se suspeito significaria uma espécie de recuo ou abandono da responsabilidade de julgar. Para o magistrado, porém, ocorre justamente o contrário. Em determinadas circunstâncias, reconhecer que não se deve participar de uma decisão pode exigir ainda mais coragem. O desembargador destaca que a análise da imparcialidade não deve considerar apenas a convicção pessoal do juiz. Mesmo quando o magistrado entende estar plenamente imparcial, circunstâncias objetivas podem gerar dúvidas legítimas sobre sua participação no processo.
Nesse contexto, Pascarelli afirma que a questão deixa de estar restrita a consciência individual do julgador e passa a envolver também a confiança da sociedade nas instituições.
O juiz conhece seus motivos, a sociedade não, argumenta o desembargador. Na avaliação apresentada no artigo, a população observa relações, circunstâncias e decisões, elementos que contribuem para formar sua percepção sobre a imparcialidade da justiça. O magistrado também cita o código de ética da magistratura nacional e os princípios de Bangalore, que relacionam a atuação judicial a valores como independência, imparcialidade, transparência, prudência e integridade. Para Pascarelli, a suspeição e o impedimento não protegem apenas as partes envolvidas em um processo. Esses mecanismos também servem para preservar a credibilidade dos tribunais e proteger o próprio magistrado. O Desembargador aponta que relações familiares, amizades e vínculos profissionais ou políticos podem criar situações nas quais o juiz tem a convicção de sua independência, mas reconheça que sua participação poderia provocar questionamentos externos sobre a decisão. Nesses casos, segundo ele, o afastamento voluntário não significa necessariamente admitir parcialidade.
Trata-se de uma atitude de prudência para preservar a legitimidade da decisão e evitar que a discussão sobre o julgamento seja desviada para as motivações pessoais do magistrado. Pascarelli também critica a ideia de que demonstração de força significa permanecer em determinada posição a qualquer custo. Para ele, exercer responsabilidade institucional também significa saber quando não atuar. Ao concluir, o desembargador sustenta que declarar um vínculo e afastar-se de um julgamento pode ser uma demonstração de força institucional. A independência da justiça, segundo sua análise, também pode ser preservada quando o magistrado reconhece que outro julgador deve assumir a decisão.
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