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Antipetismo vs. antibolsonarismo: o voto 'do contra' que pode decidir a eleição artwork

Antipetismo vs. antibolsonarismo: o voto 'do contra' que pode decidir a eleição

O Assunto

October 9, 2026

Convidado: Carlos Melo, cientista político e professor do Insper. Durante toda a campanha eleitoral do 1º turno, os dois candidatos apareceram na dianteira das pesquisas de intenção de voto eram os mesmos que carregavam, de longe, os maiores índices de rejeição.

Speakers Natuza Nery, Carlos Melo

TopicsNews

Natuza Nery (0:01)

Rejeição.

SPEAKER_2 (0:03)

Não me apego a partido, não me apego a ideologia, eu olho para a figura do candidato.

SPEAKER_3 (0:08)

A coisa, eu nunca me liguei nesse negócio de direita ou de esquerda, não.

SPEAKER_4 (0:12)

Bom, eu já votei na direita, eu já votei esquerda, mas aí não posso ser extremista a esse ponto. Eu quero encontrar o bom, assim, ter o bom senso, mas me falta opção, me falta acreditar.

Natuza Nery (0:26)

Rejeição e polarização são dois fatores-chave para explicar o resultado das urnas no último domingo. Os candidatos mais bem votados foram exatamente aqueles que enfrentam mais resistência entre os eleitores.

SPEAKER_5 (0:39)

Só rejeita a Lula 46%, só rejeita a Flávio 43%.

A gente vê esse racha e a disputa por rejeição, que tende a ser uma disputa de segundo turno, mas que, no caso dessa eleição e o histórico do Brasil, já nos últimos anos, tende a ter um peso maior. Rejeita a Lula e Flávio, os dois, 3%, e não rejeita nenhum dos dois, 8%.

Natuza Nery (1:03)

O que se vê até agora não é uma eleição na qual ideias e propostas estão na mesa. O sentimento coletivo se organiza, na verdade, em torno de um prefixo, anti.

SPEAKER_6 (1:15)

Da chamada polarização afetiva. Significa que os eleitores não votam mais a favor de um projeto de governo, mas contra o candidato que eles aprenderam a odiar.

SPEAKER_3 (1:27)

O tamanho da votação do Lula me parece que sinaliza um estoque, o nulismo.

Vamos chamar assim. O nulismo ainda é uma força política, mas que não conduziu transição nos últimos anos. E o antipetismo é uma força crescente.

Natuza Nery (1:48)

A gente precisa voltar no tempo para explicar que há diferenças entre as rejeições a Lula e PT, e a Flávio e ao bolsonarismo.

SPEAKER_3 (1:56)

Fora PT!

Carlos Melo (1:57)

Fora PT!

Natuza Nery (1:59)

O antipetismo não nasceu junto com o anti-bolsonarismo, muito pelo contrário. É um fenômeno que atravessou décadas, e vem desde antes de Lula se tornar presidente em 2002 Mas que ganhou tração com escândalos de corrupção e crises políticas. Até hoje, é uma força política mesmo entre eleitores que não se consideram bolsonaristas.

Já o anti-bolsonarismo é bem mais recente. Surge justamente com a campanha que levou Jair Bolsonaro à presidência da República em 2018 E se consolida como uma força política no governo Bolsonaro, principalmente em oposição a pautas reacionárias, a condução da pandemia e a tentativa de golpe.

SPEAKER_5 (2:43)

O Flávio Bolsonaro está tentando fazer é mostrar uma reorganização da direita, com foco no anti-petismo e vendendo essa imagem de que, como ele está angariando o apoio de muitos partidos, ele teria, caso venha a ser eleito, uma grande base aliada no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado.

SPEAKER_8 (3:01)

Porque o desafio do Lula não só é motivar o seu eleitor a ir votar, aquele que já votou nele, mas ele tem que ser capaz de tirar de casa um eleitor que está claramente insatisfeito com o seu governo. É bom lembrar que o saldo de avaliação do governo Lula continua negativo. Então tem menos gente disposto a defender o governo publicamente, a fazer... ou seja, é uma tarefa muito difícil. Se o candidato não se propuser a dizer que ele não fez um governo que as pessoas esperavam, portanto que ele vai fazer um governo diferente, um governo melhor do que este, que não vai ser um mais do mesmo. Se ele não conseguir dialogar com essas pessoas com um pouco mais de humildade e tentando falar, olha, eu entendo, eu ouvi o que vocês estão falando, mas confie em mim, eu já fiz coisas, eu já mudei antes, eu já fiz coisas melhores, eu tenho condições de fazer coisas melhores do que o outro.

Quer dizer, tentar fazer uma lógica menos arrogante não tem comunicação, não tem redes sociais que mudem isso.

Natuza Nery (4:06)

Da Redação do G1, eu sou Nathos Aneri e o assunto hoje é Antipetismo vs. Antibolsonarismo O voto do contra que vai decidir o segundo turno. Neste episódio, eu converso com Carlos Melo, cientista político e professor do InspeR. Sexta-feira, 9 de outubro.

Professor Carlos Mello, você publicou no Jornal Globo, em maio, que o antipetismo e o anti-Bolsonarismo tinham se tornado as forças políticas mais relevantes do país. Eu queria te ouvir um pouco sobre essa ideia à luz do resultado da eleição no primeiro turno.

Carlos Melo (4:47)

Olha, Natuza, o que que compõe, por exemplo, o antipetismo? Várias camadas. Você tem ali um núcleo duro que é o bolsonarismo, que é uma adesão de valores, uma adesão de princípios. E há também uma identificação estética Não é. Com aquele jeito de ser, com aquele jeito duro, enfim. Você tem outra camada que está vinculada à questão de política econômica, porque discorda da política econômica, responsivista do governo. Você tem outro corte que é um corte com relação a costumes mesmo. Há uma crítica, por exemplo, em relação aos limites humanos e os limites civis, seja com relação à questão da segurança, mas também com relação aos limites da mulher, com relação à orientação sexual, raça, enfim. Tudo isso. E há um aspecto também, para ficar mais claro, também de um recorte de classe econômica. Há uma parte da elite que vê essas políticas públicas com um certo desprezo, quase um desrespeito. Mas não compreendendo, por exemplo, um programa como Vossa Família, ele fomenta a economia. Todos os estudos, há uma impressão de que o Vossa Família, por exemplo, acaba de alguma forma aprisionando, sujeito naquele tipo de política e tal.

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