A onda bolsonarista no 1º turno das eleições
O Assunto
October 5, 2026
Convidado: Thomas Traumann, comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo. O eleitorado brasileiro decidiu que haverá 2º turno para a escolha do próximo presidente da República: Flávio Bolsonaro recebeu 47% dos votos válidos (cerca de 56,1 milhões) e Lula, 45,15% (53,8 milhões).
Speakers Natuza Nery, Flávio Bolsonaro, Lula, Thomas Traumann
TopicsNews
Natuza Nery (0:06)
Está definido o segundo turno da eleição para presidente da República.
SPEAKER_2 (0:10)
8 horas e 56 minutos, hora de Brasília, Flávio Bolsonaro do PL vai para o segundo turno com Lula, presidente da República, candidato à reeleição pelo PT.
Natuza Nery (0:23)
Flávio Bolsonaro teve pouco mais de 47% dos votos válidos. Lula, aproximadamente, 45%.
São 56 milhões de votos contra 53 milhões e 800 mil votos. Uma diferença de apenas 2,2 milhões de votos.
Flávio Bolsonaro (0:41)
Eu estou muito feliz de verdade, de o resultado que nós temos aqui agora. São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para a mudança. A palavra é mudança.
Lula (0:55)
O resultado, muitas vezes, é inesperado.
A gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Eu confesso para vocês que eu estava convencido que eu ia ganhar as eleições no primeiro turno. Mas a gente tem o segundo turno e o segundo turno é a hora da prova dos nozes.
Natuza Nery (1:17)
No Congresso, uma vitória ampla da direita e da ultradireita.
SPEAKER_5 (1:24)
O OPL tem, sozinho, um texto do Senado Federal.
SPEAKER_2 (1:28)
Tinha 15, foi para 28, quase dobrou.
SPEAKER_6 (1:31)
Aqui a gente pode somar para ter uma ideia do tamanho da direita no Senado. 49, pelo menos, assim, de largada do que a gente está vendo, sem contar com o PMDB, por exemplo, que tem setores que se alinham à oposição.
SPEAKER_7 (1:45)
Então, por que que teve esse tsunami conservador no Senado? Por que eles se prepararam para isso, eles buscaram isso, fizeram essa estratégia e foram atrás.
SPEAKER_8 (1:54)
O PL, partido do Flávio, fez 121 deputados.
SPEAKER_7 (1:58)
121 deputados e...
SPEAKER_8 (1:59)
Uma bancada gigante também.
Natuza Nery (2:02)
Também no domingo, 20 estados já definiram seus governadores em primeiro turno, muitos deles bolsonaristas.
SPEAKER_2 (2:10)
Matogosto do Sul, portanto, 6 horas e 32 minutos, sai, primeiro governador eleito.
SPEAKER_8 (2:17)
Reeleito.
SPEAKER_2 (2:17)
Reeleito, nesse caso, para mais 4 anos.
Natuza Nery (2:19)
Zouco.
SPEAKER_5 (2:20)
Confirmado o que a gente estava conversando. Zouco, do PL, eleito em primeiro turno para o governo do Rio Grande do Sul. Está selada a reeleição de Jorginho Mello, do PL, para governador de Santa Catarina. Raquel Lila.
Natuza Nery (2:35)
Raquel Lila.
SPEAKER_5 (2:35)
Reeleita governadora de Pernambuco. Jerônimo Rodrigues, do PT, atual governador da Bahia. Reeleito. Paraná.
Natuza Nery (2:42)
Agora sim, ó.
SPEAKER_5 (2:45)
99,87% das urnas apuradas. Sérgio Moro, eleito. Parcígio de Feitas, do Republicanos. Está reeleito governador de São Paulo.
SPEAKER_2 (2:53)
E tinha eleito em Minas Gerais.
SPEAKER_5 (2:55)
Governador de Minas.
SPEAKER_2 (2:56)
Confirmado, segundo turno para o Estado do Rio de Janeiro.
SPEAKER_5 (2:59)
Douglas Ruas ficou com 49,31% dos votos e Eduardo Paes com 42,72% dos votos.
Somente a gente tem hoje o recorde de governadores eleitos em primeiro turno. O recorde anterior tinha acontecido em 2010, quando 18 tinham tido os eleitos no primeiro turno.
Natuza Nery (3:19)
E um outro número ajuda a contar a história deste primeiro turno.
SPEAKER_9 (3:24)
A abstenção foi realmente muito maior do que tem sido. Ela cresceu em relação às últimas eleições. Apenas 1948 ainda foi maior. A abstenção chegou a 21,08% dos votos.
33,410,000 eleitores.
Natuza Nery (3:48)
Da redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é A onda bolsonarista no primeiro turno. Neste episódio, eu converso com Thomas Traumann, comentarista da Globo News e colunista do jornal O Globo. Segunda-feira, 5 de outubro.
Thomas, para além dessa força demonstrada pelo bolsonarismo, pelo candidato Flávio Bolsonaro, houve ainda uma verdadeira onda conservadora nos governos estaduais e também no Congresso Nacional, em particular no Senado, porque os números de vagas para a Câmara ainda estão sendo calculados, mas no Senado foi avassalador. Quais são as razões? O que que explica esse resultado? Eu sei que a quente é muito difícil ter todas as respostas, mas vamos tentar aqui dar o máximo possível de respostas para esse fenômeno.
Thomas Traumann (4:48)
Acho que a primeira questão é entender que a campanha do Flávio Bolsonaro, há duas semanas, já estava trabalhando com a ideia do que a gente chama de voto útil, voto estratégico, ou seja, conseguir com que os pretensos eleitores de Augusto Cury, de Ronaldo Caillado, de Romeu Zema e de Renan Santos desistissem dos seus candidatos e votassem no Flávio já direto no primeiro turno. E a gente viu que isso de fato aconteceu. Se a gente for ver as pesquisas de sete dias atrás, esses candidatos todos somados tinham em torno de 16%. Eles acabaram ficando aí com menos de 10%. Então, tudo isso foi e caminhou para o Flávio. A segunda coisa muito importante é que acoplou a candidatura do Flávio Bolsonaro com a candidatura dos governadores, candidatos a governo, candidatos a senado. A polarização é proposta pelo bolsonarismo, que é ou somos nós ou é o petismo, ou seja, eles serem o monopólio do antipetismo, também deu certo nos Estados. A gente viu especificamente isso no Rio Grande do Sul, onde se previa um segundo turno e o candidato Zucco venceu no primeiro turno. A gente vê isso também no Rio de Janeiro, onde você teve uma impressionante subida do Douglas Ruas nos últimos dias de campanha. Ou seja, as duas campanhas, tanto do Zucco como do Douglas Ruas, elas se acoplaram na atura do Flávio Bolsonaro e elas ficaram como o monopólio de representando o antipetismo. No caso dos senadores, eu acho que a explicação é um pouco diferente. Desde setembro, quando a gente soube dos detalhes, das conversas entre o ministro Alexandre Moraes e o banqueiro preso Daniel Vercaro, todo o discurso dos candidatos senadores de direita era vote em mim que eu garanto que vai ter um impeachment de ministro supremo. Esse discurso, ele colou. Esse discurso virou uma unidade dentro da direita.
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