A fotografia das pesquisas eleitorais às vésperas do 1º turno
O Assunto
October 1, 2026
Convidado: Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV-SP e diretor da Quaest.
Speakers Natuza Nery, Felipe Nunes, Renato Meirelles
TopicsNews
Natuza Nery (0:01)
Esta é uma eleição que parece uma grande distopia. O noticiário foi tomado por escândalos diversos. A maior potência do mundo está com as garras em cima de nós. E as campanhas não apresentaram marcas claras para o leitorado. Diante de tantas incertezas, a pergunta que resume tudo isso é que Brasil sai das urnas no domingo?
SPEAKER_2 (0:22)
Quest divulgou nova pesquisa de intenção de voto para o presidente. Esse levantamento mostra a Lula com ligeira vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno e rigorosamente empatado com ele no segundo. A Quest pesquisou cinco cenários de segundo turno. No principal deles, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate cravado.
Natuza Nery (0:41)
A guerra de rejeições também está equilibrada. A Quest perguntou aos eleitores sobre o que eles têm mais medo, um novo mandato de Lula ou o retorno do clã Bolsonaro ao poder. E as duas alternativas receberam um alto índice de respostas. Em um cenário de empate nas intenções de voto e também de empate na rejeição dos candidatos, a reta final da eleição deixa mais dúvidas do que certezas.
Felipe Nunes (1:06)
As pesquisas não apontam com segurança, além de não serem prognósticos, não apontam com segurança o favoritismo para um lado ou para o outro e nem tem como a gente descartar ou precisar qual vai ser o peso do chamado voto útil, do voto de chegada.
Natuza Nery (1:25)
Da Redação do G1, eu sou Natuza Neri e o assunto hoje é Os últimos dias antes do primeiro turno. Neste episódio, eu converso com Felipe Nunes, cientista político, professor da FGV de São Paulo e diretor da Quest. Quinta-feira, 1º de outubro.
Felipe, eu quero conversar com você sobre um artigo que você publicou no jornal Valor Econômico. Nesse artigo, você fala que a eleição mal esquentou. Eu queria te ouvir sobre as razões disso e eu sei que você coloca os eleitores indecisos, independentes, melhor dizendo, como um fator muito importante para entender esse estado de coisas. Fala melhor para a gente, explica melhor para a gente.
Felipe Nunes (2:11)
Natusa, faz um tempo que eu estou acompanhando a dinâmica de formação de opinião pública desse ciclo eleitoral. A Quest começou a fazer pesquisa no governo Lula já em janeiro, logo no 8 de janeiro, a gente já tinha ali um resultado mostrando como a opinião pública estava reagindo aos fatores importantes do governo. E o que mais me chamou a atenção nessa corrida presidencial, a gente está aqui nas vésperas do primeiro turno, é que o número de brasileiros que dizem neste momento que não tem uma opinião formada ainda sobre uma candidatura a presidente é de aproximadamente 30%, quer dizer, um terço dos brasileiros a essa altura, com tanta informação, com tanta discussão, com tanto debate, não sabe ainda o que vai fazer na eleição. E para piorar esse cenário, o número de brasileiros que diz que pode mudar de voto também é significativo, alguma coisa em torno de 25%.
Então, nós estamos vivendo um cenário de muita volatilidade, instabilidade, e embora os brasileiros estejam informados, porque o país conversa sobre política o tempo todo, em casa, no trabalho, nas reuniões familiares, nos bares, a gente fala de política, mas está todo mundo com muito medo de se posicionar publicamente sobre política. Então, a essa altura do campeonato, o número de indecisos em 2022 era muito menor, 10 pontos percentuais menor. Ou seja, essa foi uma eleição morna e, curiosamente, se não for o segundo turno para esquentar, acho que essa é uma característica que marca 2026
SPEAKER_5 (3:30)
Renato Meirelles, o presidente do Instituto Locomotiva e colunista também no jornal O Globo. Você escreveu uma coluna no jornal falando por que o pleito, a eleição de 2026, pode ser definido como a eleição do cansaço.
Renato Meirelles (3:43)
E o que a gente está vendo hoje é um eleitor que não está com raiva de ninguém. É um eleitor que não está votando porque espera um Brasil melhor ou porque simplesmente odeia o adversário. É um eleitor que está cansado de brigar por pessoas que não têm mais disposição em falar os assuntos que realmente interessam para o brasileiro que um presidente da República proponha para o país. Então é um brasileiro cansado, é um brasileiro que está pensando duas vezes em sair para votar no domingo agora.
Natuza Nery (4:15)
Bom, e é importante dizer que a moldura dessa eleição é uma moldura, no aspecto que eu vou dizer agora, muito parecida com a eleição de 2022 Mas há nuances. Que moldura é essa? É a moldura que você cunhou junto com Thomas Traumann, que é a calcificação do eleitorado.
Polos muito rígidos nesses dois campos que lideram as pesquisas de intenção de voto. Quando você olha para a eleição de 2022 e para esta eleição, partindo do princípio dessa calcificação, você enxerga alguma diferença entre uma e outra?
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