Episódio 404: Cultura e tradições
#oPutoDeBarba
September 21, 2026
Muita gente que ouve este podcast, deve achar que o seu criador/host/editor, é um bon vivant que só anda em concertos e festivais e cenas, mas também há o outro lado da moeda, que é o de quase participante do Quem Quer Namorar Com o Agricultor.
Speakers José Zero Silva
TopicsComedy
José Zero Silva (0:20)
Olá, putos barbudos, sejam bem vindos ao quadrigentésimo quarto episódio do Puto Barbo, o vosso podcast de segunda-feira, tudo bem com vocês? Comigo?
Está tudo ok.
Está tudo ok. Estamos aí a gravar no sábado, dia 19 de setembro de 2026, às 16h51, depois de ter ido para a vendima dos meus pais. Ok?
É verdade. Para quem acha que a vida deste menino é só cultura, não. Quer dizer, isto também é tradição, também é cultura. O que é? O que é a cultura, se não a soma das tradições de um país, não é? E então, pá, fui, fui vindimar. E, pá, sempre que há vindimas, eu lembro-me daqueles sketchs dos gatos fedorentos e de como as vindimas acham-se super importantes, porque não se chamam simplesmente a panha da uva, ok? Como, por exemplo, a panha da maçã, a panha do kivir, a panha da pera. Mas, então, correu tudo bem, acabámos relativamente cedo. Começámos às oito e meia, fizemos aquela pausa estratégica para amassar doses industriais de comida às dez, e depois acabámos a vindima ao meio-dia. E almoçámos, e cheguei à casa, tipo, perto das três. Por isso, já, correu tudo bem, e eu fiquei com aquela missão de carregar os cestos, 22 cestos, por isso. Quer dizer, 22 mais 4
22 mais 4, porque 4 são para o meu pai fazer outro tipo de cenas. Eu acho que deve ser para fazer espadal. Que o meu pai adora essas cenas de vinho e... Imaginem, tudo o que envolva quase métodos científicos, ele adora fazer. Tipo, insertar uma árvore, que para mim é quase pá. É basicamente uma insemilinação artificial num árvore. Está a ver? Tipo, tu pegas numa macieira, insertas lá um pecegueiro, e começam-te a nascer pêssegos em formato de maçã. Está a ver? Isso é quase comida transgênica. Está a ver? É quase ciência. Mas então ele adora essas merdas, adora...
Vindimas, adora tratar do vinho, sulfatar, esse tipo de cenas. Está a ver? Por isso, por isso já. Corrou tudo bem. Corrou tudo bem. E pá, e vamos então para mais um episódio. E pá, agora, agora é oficial. É oficial. Atenção, é oficial. As fontes, as fontes são o nosso vizinho debaixo, que os nossos vizinhos do lado vão sair de casa. Ok? Imaginem. Eu já considerei que eles saíram, porque eles não estão a viver em casa, mas têm vindo aqui buscar cenas. Está a ver? E eram tipo um ou dois dias buscar cenas. E agora? Eu acho que quem está aqui é a senhoria. Porque pá, eu não sou de intrigas, mas eu acho que eles devem ter deixado a casa completamente destruída. Pelo menos, imaginem, a porta tem vidros e um dos vidros estava partido. E pá, eles não transmitiam aquela confiança. Está a ver?
Não conseguia sentir essa confiança vinda deles. E então, houve um dia em que estávamos a passear o Foch, estávamos a entrar em casa, cumprimentávamos o vizinho de baixo, ele veio nos entregar um brinquedo do Foch, que lá está aí, lá às vezes vai para a veranda brincar e deixa cair as cenas lá abaixo. E então, tivemos ali a fofocar um bocado. A senhora engenheira perguntou se eles tinham saído e ele disse que sim, que ainda não tinha a certeza se eles tinham saído, porque eles ainda não tinham entregado a chave, mas que já não estavam a viver aqui. E então disse que, tipo, já apresentou queixa deles à GNR por causa do barulho, porque atiravam biatas, cigarros, para andar de baixo e é tipo, bro, é o básico de saber viver em comunidade, que é, tu estás num andar moradia, ok? Eu sei que não há nenhuma lei que te diga que, ah, já, tu não podes atirar lixo para o andar de baixo. Se calhar até, ah, eu estou a dizer que não há. Mas é tipo, pá, é o básico de viver em sociedade. E é tipo, vais atirar lixo para o andar de baixo, sendo que na próxima são biatas, e era o que ele disse, tem crianças e tudo, às vezes elas até podem meter aquilo à bloca e tudo. Pá, bué danujento, ok? Então ele fez o que também faz conosco, que é, às vezes os brinquedos caem, os brinquedos do Fausto, e ele bate à porta, mas se nós não formos abrir, ele deixa lá a porta. Ok? E então ele fez isso com as viatas. Apanhou-as, metiu-as num saquinho e meteu à porta de casa deles. E eles voltaram a deitar à fora. E é tipo, pá, qual a necessidade? Ok? Qual a necessidade? Por isso, pá, não deixam pena. Ok? Não deixam pena.
Foi uma experiência totalmente diferente da primeira que tivemos, porque, imaginem, quando nós estávamos no loft, também tínhamos um casal a viver ao nosso lado. E tipo, ok, não falávamos muito, mas, às vezes, quando estávamos a sair ou a entrar, cruzávamos, dávamos ali duas treta, ok? Quando saímos, despedimos-nos deles e tudo. Aqui não, aqui não se passou nada disso, aqui pareciam quase estranhos, ok? Imaginem, se eu estivesse a entrar e eles a sair, eu dava bom dia, boa tarde e eles respondiam, ok? Também é o básico, não é? Mas, pá, sempre bué da estranho, sempre a berrar e o caralho, sempre a pôr música estranha, bué da tarde. Tipo, imaginem, eles faziam quase de propósito para pôr até às 11 da noite. Chegava às 11 desligava, mas, pá, qual a necessidade? Qual a necessidade? Sendo que às vezes eram 8 da noite ou 7 e não havia música nenhuma e, tipo, das 10 às 11 começava a música. E se calhar lá está. E se calhar faziam isso porque como o vizinho tinha apresentado queijo e como o vizinho acorda cedo porque tinha aquele conceito que para eles era um pouco estranho que era trabalhar, se calhar faziam isso por propósito, mas tipo a sério. A poeda é estranha, por isso, por isso é há. E depois o vizinho de baixo então também disse que eles estavam há seis meses sem pagar a renda. E pá, poeda bom, poeda bom, imaginem. E ele disse que estavam a pagar 650 euros de renda. O que pá, para o padrão atual é ok, porque eles têm ali um T2 mais um, estáis a ver. Mas pá, claro que é um absurdo de um valor, principalmente para a mulher trabalhava. O homem, não sei se ele recebe tipo alguma espécie de reforma, porque ele mancava um bocado. E então, de vez em quando notava-se que ele ia fazer uns biscaques, mas não tinha emprego fixo. E o filho, acho que tinha emprego fixo, um dos filhos. O outro ainda estuda. Por isso pá, poeda estranha, poeda estranha. E outra cena que eu estava a pensar era, e é claro que este puto, naquela corrida que é a vida e naquela corrida que é a meritocracia, ele já começa a voar atrás. Porque primeiro, está numa família destruturada. Porque não deve ser nada fixe. Tu estás numa família em que todos os dias o teu pai discute com a tua mãe, todos os dias o teu pai está aos berros. Tipo o Vundinck, o gajo meu, começou a berrar porque alguém tinha roubado as mortalhas. Eu não sei se foi a esposa ou a mulher, não sei se eles são casados ou não são, mas começou a mandar a bico-mó que caralho e já era boa da tarde. Por isso, logo aí o puto já começa 50 metros atrás da linha da partida. Depois, além disso, imaginem, o puto deve ter 10 anos, não, 10 não deve ter, que ele se calhar ainda anda na primária. Vamos assumir 8, 9 anos. E o puto já vai pelo menos para a sua terceira casa. Ou seja, terceira casa, provavelmente terceira freguesia diferente, não sabemos se é sempre o mesmo conselho. Ou seja, nunca tens uma base sólida, se calhar nunca consegues fazer amigos, porque, imaginem, eu troquei de casa quando andava no segundo ano e fui para outra freguesia e também não fiz amigos nessa freguesia. Eu sei que pode parecer estranho, mas pá, não fiz amigos. Eu era tipo um pouco bicho do mar, mas mantive aquelas amizades anteriores porque, porque os meus pais fizeram um esforço de não me trocar de escola. Ok? Ou seja, tive essa sorte que lá está, tenho os dois lados, que é, foi sorte porque mantive aquelas amizades até ao 6º ano, porque depois grande parte deles trocaram de turma, mas pronto. Pelo menos naquela base em que era foda fazer amizades, porque eras bué da puto, mantive essa solidez. E só depois do, só no 7º ano é que então fui para uma turma diferente. Aquele puto provavelmente vai tipo para a sua, pelo menos terceira turma diferente, sendo que ele está na primária, sendo que era aquela altura em que tu ias com os teus amigos para o 2º ciclo, estáis a ver? Por isso, fiquei a pensar nisso. E depois, também fiquei a pensar numa cena que era quem me dêra ser uma moesca para poder ver o interior da casa. Isto porquê? Porque, imaginem, nós não lavámos muito a nossa varanda. A nossa varanda foi lavada tipo 3 vezes no ano, mas tipo está aceitável. Imaginem, tem um bocado de pó, porque aquela cena das poeiras da África e tudo, tem assim um bocado de pó, mas pá, se tu passas uma vassoura e fica nova, estáis a ver? A varanda deles está tipo encardida, ok?
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