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**Natuza Nery** (0:06)
A anos circula em Brasília uma nedota que tenta exemplificar o poder do centrão. Essa nedota diz o seguinte, um novo presidente da República entra pela primeira vez no Palácio do Planalto e lá encontra um político do centrão. Ele estava, sim, confortavelmente instalado no sofá do gabinete, fumando um charuto. Surpreso, o presidente eleito pergunta, mas o senhor por aqui? E o político do charuto responde, ora, eu sempre estive aqui. O senhor presidente é quem está de passagem.
Essa nedota fala de um poder que sobrevive ao tempo e a governos de todos os matizes ideológicos, uma influência que ganhou uma dimensão ainda maior nos últimos anos, com o chamado Orçamento Secreto. E sabe o político do Charuto, que eu acabei de citar? Pois bem, em cima desse dinheiro todo das emendas parlamentares, ele já não quer apenas estar no sofá do palácio. Ele quer, se puder, se sentar na cadeira do presidente da República, mesmo sem ter sido eleito presidente, para ditar as regras do jogo.
Mas é bom que se diga, esse político do Charuto tem um ponto. O centrão sempre esteve na área.
**SPEAKER_2** (1:19)
A Constituinte era um momento divisor de água da sociedade brasileira. Passei a pertencer ao centrão. Foi uma corrente de parlamentares que se colocava ao lado do liberalismo econômico, contra o pensamento de esquerda, que, em tese, era o bem. Nós éramos o mal.
**Natuza Nery** (1:38)
Como força política, o Bloco nasceu na Assembleia Nacional Constituinte entre 1987 e 1988 Era um bloco de centro-direita que se organizou para reagir às propostas consideradas mais progressistas durante a elaboração da nova Constituição Brasileira.
Os anos se passaram, mas foi sob o comando de Eduardo Cunha, deputado que viabilizou o impeachment na época em que era presidente da Câmara e que acabou caçado tempos depois que o centrão ganhou mais ambição e mais musculatura. E desde então vieram as emendas, a baixa transparência, a fama mais forte de fisiologia e o mais puro pragmatismo político.
**SPEAKER_3** (2:19)
A necessidade de grupos de pressão, no caso, representando o capital, o investidor, porque nós íamos de uma panela de pressão, onde os direitos sociais, tudo isso, havia a expectativa de se contemplar na Constituição.
**SPEAKER_4** (2:33)
E por que que isso é importante? Mais recentemente, lideranças parlamentares entenderam que a maioria governa e quando ela está organizada, ela basicamente comanda o processo legislativo. Isso fica muito claro sempre quando tem governos no Executivo de esquerda, porque aí tem claramente esse contraste entre a maioria no Executivo e uma maioria parlamentar que tende a ser de centro-direita.
**Natuza Nery** (3:02)
Esse contraste às vezes se acentua, mas às vezes ele quase some.
Depois de quatro anos incompletos de atritos entre o governo Lula e o Congresso Nacional, que é comandado justamente pelo Centrão, a proximidade da eleição mudou o clima dessa relação. E mesmo o Centrão estando mais próximo do bolsonarismo, os partidos que ocupam o bloco optaram pela neutralidade na corrida presidencial. Mas que isso? O atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, tomou um lado.
**Hugo Motta** (3:32)
Então eu estava guardando a posição do partido para que pudesse trazer de público a nossa posição. É nossa opção estar sendo aqui revelada em primeira mão de apoio ao presidente Lula em seu projeto de reeleição. Nós vamos declarar esse apoio ao presidente, porque é o presidente que converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país.
**Natuza Nery** (3:54)
Outro expoente, o presidente do Senado, Davi Okolumbre, não chega tanto, mas já começa a mudar o tom nessa relação. Tanto que depois de um quase rompimento total, Lula e Okolumbre se encontraram recentemente.
**SPEAKER_6** (4:08)
Por favor, presidente, como foi o encontro ontem com Lula?
**Hugo Motta** (4:12)
Segredo.
**Natuza Nery** (4:15)
É o Centrão, mais uma vez, garantindo seu lugar no sofá, independentemente de quem passará os próximos quatro anos no Palácio do Planalto. Da Redação do G1, eu sou Nathos Aneri e o assunto hoje é Para que lado aponta o pêndulo do Centrão? Neste episódio, eu converso com Bela Megali, colunista do jornal O Globo. Quarta-feira, 12 de agosto.
Bela, a gente te convidou para falar dos ventos do Centrão. Para que lado eles estão soprando? E a primeira pergunta que eu quero te fazer é sobre uma declaração recente do presidente da Câmara, Hugo Mota. Essa declaração me chamou a atenção, porque ao longo de todo o período de Hugo Mota como presidente da Câmara, a relação dele com o Lula foi uma relação de muitos trancos e muitos barrancos. Mas eis que ele diz que o Lula é o melhor nome, etc. e tal. O que aconteceu e por que Hugo Mota se aproximou de Lula depois desse período tão intenso, eu diria assim.
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