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O voto da maioria: o que pensa e o que quer o eleitor da Classe C

O Assunto

August 17, 2026

Convidado: Renato Meirelles, autor do livro "Brasil da Maioria", presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela. Começou neste domingo (16) a corrida eleitoral para o pleito que será realizado no dia 4 de outubro.
Speakers: Victor Boyadjian, Renato Meirelles, Michelle Bolsonaro

Topics: News

**Victor Boyadjian** (0:05)
Nesta semana começou oficialmente a corrida eleitoral. Os candidatos e partidos passaram a poder pedir votos aos eleitores e nessa missão vão encontrar um Brasil bastante complexo.
Os brasileiros formam um povo sofrido e cansado, resignado, mas que continua trabalhando e batalhando em busca de uma vida melhor. Esse é um retrato do país de acordo com o livro Brasil no Espelho, escrito pelo cientista político Felipe Nunes, que é o diretor do Instituto Quest. Na pesquisa que Nunes conduziu para a publicação, ele perguntou aos entrevistados como eles se sentiam. A resposta foi espontânea. 51% deles disseram que estavam cansados, ou mencionaram outros sentimentos negativos. E a principal razão para isso está no bolso. Vou explicar. Seis em cada sete brasileiros concordam que precisam mais do que um trabalho para fechar a conta no fim do mês. E isso ajuda a explicar outro número. 83% dizem que gostariam de ter o próprio negócio. É o chamado empreendedorismo de exaustão.

**SPEAKER_2** (1:10)
Falei, vou tentar. Eu não tinha capital de giro, fui entrei na loja com a cara e a coragem. Eu falei, eu tenho que começar. Tanto é que a loja ainda não me deu lucro. Por enquanto, eu estou patinando. Mas, claro, acredito, estou feliz por estar aqui.

**SPEAKER_3** (1:25)
Meu sonho é montar um café.

**SPEAKER_4** (1:27)
Dá bastante insegurança, né? Então, na época, assim, eu trabalhava muito mais, mas hoje eu falo, meu, valeu muito a pena. Tudo que a gente aprende na empresa anterior e todas as outras que a gente passou, vale muito. A gente usa tudo, né, na empresa.

**SPEAKER_5** (1:41)
Eu estou pensando em montar uma sala de estética.

**SPEAKER_3** (1:43)
É muito como uma pessoa trabalha numa loja de roupas e acha que as coisas deviam ser diferentes, mas ela não é dona da loja de roupas. Então, ela começa a amadurecer a ideia de abrir a sua própria loja de roupas, onde ela vai poder organizar os trabalhos da forma como ela julga adequado, pela percepção que ela já acumulou.

**Victor Boyadjian** (2:03)
Mas note que, curioso, mesmo cansados, os brasileiros não se sentem necessariamente infelizes. Três em cada quatro afirmam ter algum grau de satisfação com a vida, uma taxa que está em linha com a média mundial. E é diante deste aparente contraste que o brasileiro vai às urnas e os candidatos precisam decifrar o que ele, o eleitor, quer.

**SPEAKER_5** (2:24)
Independente é que vai decidir a eleição, né gente? A gente tem falado o tempo todo sobre isso. Foi o que decidiu em 2022, que é o centro, que não se vê ligado nem à esquerda, nem à direita, necessariamente dentro desse centro. Tem um pouco de centro-esquerda, tem um pouco de centro-direita, tem centro-centro. E esse pessoal, que também é o eleitor pêndulo, cada ano vai para um lado ou para o outro e define a eleição, porque a eleição você está vendo, né? Está bem grudadinha ali, as intenções de voto, bem próximas desses dois polos que representam o PL e o PT, a esquerda e a direita.

**Victor Boyadjian** (2:59)
E nesse universo de quase 160 milhões de pessoas aptas a votar, há uma parcela fundamental para decidir as eleições. Mais da metade dos títulos são de eleitores, com renda familiar mensal entre R$ 610 e R$ 2.150. O Instituto Locomotiva classifica esse grupo de mais de 80 milhões de eleitores como Classe C. Esse é o centro de gravidade do país, um eleitor que está preocupado em saber como os candidatos serão capazes de responder a seguinte pergunta, quem vai conseguir destravar a minha vida?
Da Redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje com Vitor Boedian é O voto da maioria, o que pensa e o que quer o eleitor que está na Classe C. Neste episódio eu converso com Renato Meirelles, autor do livro Brasil da Maioria, presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela. Segunda-feira, 17 de agosto.
Renato Meirelles, são 53% dos eleitores pertencentes à Classe C. Parece que é uma coisa só, um grupo homogêneo, mas certamente não é. Queria saber quem são eles, quais cortes mais que a gente pode fazer dentro desse corte de renda da Classe C?

**Renato Meirelles** (4:20)
A Classe C é a maioria absoluta, não só da população brasileira, mas como dos eleitores. Ela é majoritariamente liderada por mulheres. As mulheres são a maioria absoluta das chefes de família da Classe C. Algumas regiões do país, como a região nordeste, tem proporcionalmente um número maior de brasileiros da Classe C. A região sul tem o que nós chamamos da Classe A da Classe C, porque é uma Classe C mais escolarizada, com mais acesso à internet e com uma renda média dentro da Classe C um pouco maior. Mas, surpreendentemente, é a região sudeste que concentra a maior parcela em números absolutos dos eleitores da Classe C. Nós temos aí mais de 40% dos eleitores da Classe C.

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