Topics: News
**Victor Boyadjian** (0:02)
Como um homem que não é presidente dos Estados Unidos se tornou figura central na relação com o Brasil? Essa é a questão que aflige o governo Lula diante dessa histórica crise diplomática entre as duas nações.
**Luiz Inácio Lula da Silva** (0:16)
Marco Rubio, que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina, secretário de Estado, que é o Marco Rubio, e que é um bolsolarista, odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil. Eu disse para o Trump, que esse moço não gosta do Brasil. Eu pedi para ele parar para dizer ao Marco Rubio que converte com o Brasil, sem preconceito com o Brasil, porque pelas entrevistas que ele deu, parece que tem uma certa desconhecimento da realidade do Brasil. E ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com o Trump.
**Victor Boyadjian** (0:48)
Filho de imigrantes cubanos, Marco Rubio é o atual secretário de Estado e assessor de segurança nacional de Donald Trump. De pai garçom e mãe camareira, que chegaram aos Estados Unidos antes mesmo da revolução comunista na ilha, no centro da biografia de Rubio está justamente a história do sonho americano. E essa história ajuda a explicar a forma como ele vê o mundo e principalmente como ele vê o papel dos Estados Unidos.
Enquanto o presidente americano enxerga a geopolítica como uma disputa entre grandes potências, Rubio tem uma perspectiva mais ideológica. Ele busca recuperar a influência dos Estados Unidos na América Latina para conter a presença da China e do comunismo. É uma atualização da antiga doutrina Monroe, estratégia usada pelos americanos para influenciar os rumos de todo o continente. E o jeito de Rubio ver o mundo já é a política oficial do Departamento de Estado.
**SPEAKER_3** (1:46)
Falando do Departamento de Estado dos Estados Unidos, já houve a publicação pelo Departamento de um Vídeo nas redes sociais, em que está reafirmado o domínio americano sobre as Américas. Essa publicação, ela resgata essa doutrina criada lá em 1823 pelo então presidente James Monroe. A política defendia que as potências europeias não deveriam interferir nas Américas. E aí ficou associada a ideia de América para os americanos.
Então, quase dois séculos depois, o governo Trump volta a usar essa doutrina como referência para a atuação dos Estados Unidos na região. E aí no vídeo, o departamento de Estado, ele cita a captura do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como o exemplo da aplicação dessa política. Esse vídeo é acompanhado pela seguinte mensagem, abre aspas. A doutrina Monroe, mudou a política externa dos Estados Unidos por mais de dois séculos. E o domínio americano no hemisfério ocidental, nunca mais será questionado, fecha aspas.
**Victor Boyadjian** (2:51)
Nessa estratégia, o Brasil ocupa um lugar especial. Rubio não é apenas o condutor da agenda América em primeiro lugar para o hemisfério ocidental. Ele também se tornou a principal ponte de interlocução do bolsonarismo em Washington.
**SPEAKER_4** (3:05)
Fala pessoal, mais uma idade aqui para Washington, DC. Se for necessário, queremos sacrificar tudo e queimar toda a floresta.
**Victor Boyadjian** (3:13)
Em diálogo com a base americana do bolsonarismo, Rubio já questionou a justiça e a diplomacia brasileiras, aplicou sanções, tarifas e até atacou o PICS, deixando exemplos do que Washington pode fazer para impor sua hegemonia.
**SPEAKER_5** (3:27)
O presidente americano Donald Trump deu início hoje a uma fase sombria nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil.
**SPEAKER_6** (3:34)
E o governo dos Estados Unidos propôs um novo tarifasso de 25% sobre produtos brasileiros.
**SPEAKER_7** (3:40)
O Departamento de Estado Americano divulgou hoje uma nota em que classifica o PCC e o Comando Vermelho como ameaças significativas à segurança regional.
**SPEAKER_8** (3:50)
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou agora há pouco que está sancionando, punindo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. O governo americano se baseou na lei Magnitsky, que é usada para punir estrangeiros.
**SPEAKER_6** (4:06)
Outros ministros do Supremo já tinham tido os seus vistos revogados. Essa foi uma decisão anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio.
**SPEAKER_9** (4:15)
Mais um desentendimento à vista entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. O Senado americano aprovou a indicação de uma aliada do secretário Marco Rubio para ocupar a embaixada em Brasília. Só que o Itamaristir ainda não deu, nem pretende dar tão cedo, o aval para a vinda dele.
**SPEAKER_10** (4:31)
Lembrando que os Estados Unidos não respeitaram o protocolo diplomático tradicional e o governo Trump anunciou a nomeação de Pérez antes mesmo que o Itamarati tivesse recebido o pedido de Arrimon, o que é praxe pela Convenção de Viena que regula relações diplomáticas. Em represália, o país cancelou o visto americano da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luisa Viotti, escalando a crise diplomática.
**Victor Boyadjian** (4:56)
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