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O fator 'Triângulo das Bermudas' para o resultado da eleição presidencial

O Assunto

August 27, 2026

Convidado: Carlos Melo, cientista político e professor do Insper. A soma dos eleitores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo corresponde a mais de 40% dos votos que vão decidir o próximo presidente.
Speakers: Natuza Nery, Carlos Melo

Topics: News

**Natuza Nery** (0:05)
Há um lugar no Atlântico muito famoso por uma lenda. A história é que navios e aviões desaparecem sem deixar arrastro ao passarem por lá. Aqui no Brasil, há uma região onde um outro movimento misterioso acontece a cada quatro anos. A depender das condições, os votos mudam de direção. E isso também dentro de um espaço triangular. Seus vértices são Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Três estados, quase metade do eleitorado brasileiro. Um fenômeno que pode fazer desaparecer a vantagem de qualquer candidato.
É o Triângulo das Bermudas da Eleição. Aqui, o que pode sumir não são navios ou aviões. São as vantagens eleitorais. Vamos passo a passo.
Os eleitores do Nordeste tendem a dar vitória à lula na região. O Sul e o Centro-Oeste devem seguir mais próximos do campo bolsonarista. O Sudeste é onde há mais espaço para o voto mudar, principalmente nas populosas capitais desses estados.

**SPEAKER_2** (1:12)
A forma de comprovar a calcificação é comparando como é que as pessoas estão votando hoje, como elas votavam quatro anos atrás. E o dado que a gente tem, quando a gente olha para todos os estados que a Quest publicou, é impressionantemente calcificado. Quando eu comparo o percentual de votos no presidente Lula no primeiro turno de 2022 com o percentual de intenção de voto, hoje, o grau de correlação do voto entre como cada estado votou no primeiro turno de 2022 para agora dá 97%.
Ou seja, as variações são mínimas. O padrão de votação nesse momento é praticamente idêntico.

**Natuza Nery** (1:55)
Até aqui, as pesquisas mostram o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais praticamente divididos entre Lula e Flávio Bolsonaro. E nessas praças, qualquer punhado de ponto percentual é um oceano inteiro de votos. Águas voláteis, onde o barco pode tanto se perder quanto ganhar tração. E é aí que entram os palanques estaduais.
Aqui em São Paulo, por exemplo, Flávio Bolsonaro tem um trunfo potencial. Tarcísio de Freitas, candidato ao governo do Estado pelo Republicanos.

**SPEAKER_2** (2:28)
Os números para o governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, do Republicanos, 40 pontos. Fernando Haddad, do PT, 27 pontos nessa pesquisa. Indecisos nessa pesquisa, eles são 13 pontos. Branco, nulo, não vai votar, 14 pontos. Basicamente o que a pesquisa está mostrando é que se a eleição fosse hoje, o Tarcísio, então, venceria essa eleição no primeiro turno.

**Natuza Nery** (2:51)
Como Tarcísio de Freitas é um cabo eleitoral forte, a estratégia de Flávio Bolsonaro é clara. Tentar se colar ao máximo a ele para herdar parte desse capital político.

**SPEAKER_2** (3:01)
Vamos olhar o que está acontecendo na disputa para presidente em São Paulo. Flávio Bolsonaro tem 30 pontos, Lula tem 30, os dois parecem numericamente empatados. 13% são indecisos, 12% branco, nulo, não vai votar.

**Natuza Nery** (3:14)
Mas pode ter um nó nessa história. Se Tarcísio de Freitas não se engajar pela campanha de Flávio Bolsonaro, esse trunfo passa a ser relativizado.
Para Lula, o desafio é outro. A campanha precisa recuperar o chamado voto de centro, principalmente o antigo eleitor tucano. E a chapa paulista liderada pelo PT aponta para essa direção. Fernando Haddad é o candidato ao governo do Estado. Marina Silva da Rede e Simone Tebet do PSB concorrem ao Senado. É um reflexo da coalizão de nomes que colaborou para a vitória de Lula em 2022

**SPEAKER_2** (3:47)
Hoje, as campanhas brasileiras têm duas tarefas. Um, persuadir, convencer o eleitor independente, que é pragmático, em que lado ele vai votar. Dois, a fazer a sua torcida ficar animada para ir votar. São duas tarefas independentes. Ao mesmo tempo, tem que apresentar argumentos pragmáticos sobre saúde, educação, violência.

**Natuza Nery** (4:11)
Em Minas, a equação é mais imprevisível. Cleitinho, do Republicanos, lidera a disputa pelo governo. Ele não fechou apoio a nenhum presidenciável, mas é um nome muito mais alinhado aos candidatos da direita. Por outro lado, dois candidatos mais ligados ao centro e à esquerda também se mostram competitivos e podem ajudar Lula nas urnas.

**SPEAKER_2** (4:30)
Cleitinho Azevedo com 29 pontos, Patrúza Ananias, do PT, com 11 pontos, Alexandre Calil empatado com ele 10 pontos, lembrando que ainda tem 19 de indecisos e 12 de branco nulo. A coisa está que nem a disputa de Galo e Cruzeiro. Flávio Bolsonaro, 31 pontos no primeiro turno, Lula, 31 pontos. As pessoas geralmente cravam que esse voto todo aqui de Zema, Marçal, Renan, Caillat e Curi, automaticamente iriam num eventual segundo turno para Flávio Bolsonaro. Eu não faria essa conta dessa maneira, vamos com calma. Mineiro é um eleitor muito desconfiado e que geralmente não faz esse voto ideológico de maneira tão coerente como em outros lugares. O eleitor prefere, justamente por essa desconfiança, distribuir poder.

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