Topics: News
**SPEAKER_1** (0:04)
A crise no Supremo Tribunal Federal escalou nesta quinta-feira. Dois dias depois de ser citado como destinatário de dezenas de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes, num ato de retaliação, pediu a abertura de uma investigação contra o colega André Mendonça.
No documento, Moraes afirma que há fortes indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução dos inquéritos que apuram as fraudes do Banco Master e os descontos ilegais do INSS.
**Natuza Nery** (0:39)
Ministros da própria Corte em lados opostos de uma disputa que envolve investigações, relatórios e acusações de abuso de autoridade. De um lado, André Mendonça.
**SPEAKER_3** (0:51)
Há 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes e viar a público na terça-feira, quando o ministro relator André Mendonça retirou o sigilo.
**Natuza Nery** (1:02)
Do outro, o próprio Moraes.
**SPEAKER_4** (1:04)
Ao pedir a investigação do ministro André Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes cita a Constituição e o regimento do STF, que afirmam ser de competência de órgão colegiado, a analisar a possível prática de crime comum por parte de magistrados. A decisão foi tomada no inquérito das fake news.
O inquérito das fake news, que se estende há mais de sete anos e que tem sido criticado por não ter prazo final estipulado e ter tido seu objeto ampliado e modificado ao longo dos últimos anos.
**Natuza Nery** (1:40)
É um conflito inédito de resultado imprevisível dentro da mais alta corte do país e que coloca uma questão central. Como o próprio Supremo Tribunal Federal pode arbitrar uma situação inédita e grave como esta.
**Maria Cristina Fernandes** (1:55)
O presidente da corte, ministro Edson Fakim, se manifestou hoje. Disse que quer ouvir morais e mendonça em cinco dias úteis.
**SPEAKER_3** (2:03)
O jurista Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense, disse que o Supremo não pode adiar qualquer decisão. Precisa ser ágil.
**Reynaldo Turollo Jr** (2:12)
O Supremo Tribunal precisa agir, porque se ele não correr, ele corre o risco de que o Senado da República saia na frente e que a pressão popular e política seja tão grande que por lá se instaure processo crime de responsabilidade contra o ministro do Supremo Tribunal Federal. Isso seria ainda pior, porque acirraria a tensão entre os poderes.
**SPEAKER_7** (2:38)
Edson Faquin vai ser testado na sua capacidade de administrar, talvez, aquela que seja a pior crise, pelo menos, da história recente, do Supremo Tribunal Federal.
**SPEAKER_8** (2:51)
O que a gente está vendo aqui é uma crise que já era muito grave, se aprofundar de uma forma nunca vista. Existe uma guerra que era interna e que agora está escancarada.
**SPEAKER_4** (3:05)
Realmente é uma situação, para lá de volátil, explosiva dentro do judiciário brasileiro, nesse momento de reta final, em direção a uma eleição no Brasil.
**Natuza Nery** (3:21)
Da Redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é o contrataque de morais André Mendonça e a crise inédita no Supremo. Neste episódio, eu converso com Reinaldo Turolo Júnior, repórter de política do G1 em Brasília, e com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da Globo News e da rádio CBN. Sexta-feira, 4 de setembro.
Meu amigo Turolo, a gente já está na madrugada do dia 4, horas depois de uma escalada sem precedentes na história do Supremo Tribunal Federal. A gente ainda está tentando entender o que aconteceu, colocando as peças no lugar para costurar essa grande coxa de retalho de muita confusão. Eu sei que você está até agora analisando os relatórios que chegaram ao Supremo Tribunal Federal e explica para a gente o que aconteceu hoje ou no caso ontem, porque a gente já grava no dia seguinte.
**Reynaldo Turollo Jr** (4:24)
Natusa, o que o ministro Alexandre de Moraes fez foi reunir uma série de relatórios de inteligência, que são relatórios internos, foram produzidos por delegados e agentes da Polícia Federal, que apontam supostas más condutas do ministro André Mendonça na relatoria dos dois principais casos do país no momento, que são o caso Master e o caso da Sem Desconto, que viviam no INSS. E a partir desses relatórios feitos pela Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes toma uma decisão que, na verdade, é menos uma decisão e mais um pedido de providências. Ele manda esse material para o ministro Fakim, Edson Fakim, que é o presidente do STF, e pede para que ele tome, diante disso tudo, as providências cabíveis sobre a conduta do ministro André Mendonça. O principal que ele está apontando ali, o Alexandre de Moraes aponta indícios de cinco possíveis ilícitos, improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade, quebra da imparcialidade do juiz e favorecimento a determinados grupos políticos. E tudo isso ele faz com base nesses relatórios da Polícia Federal. Você falou que eu estou analisando aqui, é porque são muitas páginas, são 50 páginas, são quatro relatórios internos. E esses relatórios tratam da convivência, digamos assim, da polícia, dos delegados da PF, de um grupo específico da PF que cuida desses inquéritos, do master do INSS, que é um grupo que chama SINC, que é a coordenação de inquéritos nos tribunais superiores, com o relator André Mendonça. E ali eles esmiuçam essas situações. E o primeiro ponto que eles abordam é a maneira como, segundo eles, eu vou reproduzir aqui sempre o que a polícia disse nesses relatórios internos sem fazer um juízo de valor. A polícia afirma que o ministro André Mendonça, ao pedir o relatório sobre as conversas de Alexandre Moraes com o Daniel Vorcaro, do Banco Master, o Mendonça teve uma conduta atípica. Por quê? Porque em vez dessa ordem chegar para a polícia por escrito, dentro do sistema, como costuma ser, o ministro André Mendonça, segundo os policiais federais, chamou eles para uma reunião e entregou essa ordem para que eles produzissem o relatório sobre o Alexandre de Moraes num papel impresso e mandou que os quatro delegados ali presentes assinassem aquele papel impresso, mas a ordem não tinha assinatura do próprio ministro André Mendonça ainda. E eles assinam e a ordem diz que eles têm que produzir um relatório sobre o Moraes e as mensagens trocadas com o Borcaro em 72 horas. Um prazo que os policiais dizem que é muito esvígo, mas que eles tentaram cumprir para não descumprir a ordem do Mendonça. Mas eles registraram isso num relatório interno de inteligência, justamente porque eles consideraram que a maneira foi atípica e que eles ficaram com medo pelo fato, segundo eles, de não ter a assinatura do Mendonça num primeiro momento. Eles escrevem lá que a assinatura só foi aparecer depois das 72 horas, quando eles responderam. Aí o Mendonça colocou a ordem e a resposta dentro do processo e aí sim ele assinou a ordem que ele tinha dado.
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