Topics: News
**Natuza Nery** (0:05)
A manchete é a seguinte, nos últimos três anos as recuperações judiciais cresceram 66% no Brasil.
**SPEAKER_2** (0:12)
No segundo trimestre do ano passado, 819 empresas de diferentes tamanhos pediram recuperação judicial.
No mesmo período deste ano, foram 986 O grupo Casas Bahia e as lojas Marabras, protocolaram pedidos de recuperação judicial nos últimos dias por causa de dívidas. Em maio, foi o grupo TOC, dono da TOXTOC e da MOBLE. Em março, o grupo Pão de Açúcar anunciou um pedido de recuperação extrajudicial, quando é feito um acordo com os credores antes da validação do juiz.
**Natuza Nery** (0:45)
Eu vou traduzir isso aqui para você. Significa que, dentro deste período de três anos, mais de 2.5 empresas precisaram acionar a justiça para ganhar mais tempo e quitar suas dívidas. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o número de pedidos cresceu mais de 20%. Os dados são da Consultoria de Reestruturação Corporativa, RGF, associados.
Este é mais um alerta para a economia brasileira. Aqui no assunto, a gente já tratou de endividamento recorde das famílias no Brasil. Mas agora, com essa onda de recuperações judiciais, a gente vê que os CNPJs também estão estrangulados com as contas.
**SPEAKER_3** (1:29)
A Americanas protocolou um plano de recuperação judicial na vara empresarial do Rio de Janeiro. A dívida da Rede Varejista chega a R$ 43 bilhões.
**SPEAKER_4** (1:40)
A Casa de Bahia confirmou o pedido de recuperação judicial. O anúncio foi feito agora pouco aos acionistas. Segundo o comunicado, a dívida da empresa está em R$ 17,3 bilhões.
No pedido, a empresa cita a pandemia, integração com ponto frio, juros e endividamento, como algumas das razões.
**Natuza Nery** (2:02)
Mas tem ainda uma outra forma de as empresas pedirem socorro. É a recuperação extrajudicial. Ela ocorre quando a organização consegue negociar com seus credores, para quem ela deve, portanto, sem precisar passar pela justiça. E por esse caminho, o plano de reestruturação para colocar as coisas nos eixos fica mais fácil. Mas não significa que a situação da empresa seja menos preocupante.
**Stella Fontes** (2:26)
Primeiro ponto, a Braskem não tinha para onde correr em relação a um pedido como esse, de negociar uma dívida de R$ 54 bilhões, recuperação judicial ou extrajudicial. Optou-se neste momento pela recuperação extrajudicial.
**Natuza Nery** (2:41)
Segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial, nos mesmos três anos, de 2023 até agosto de 2026, foram 235 empresas. É exatamente isso o que a empresa Braskem tenta agora.
**Stella Fontes** (2:56)
Pagar, fora de questão, uma dívida dessa, é um abatimento mesmo dessa dívida. A Braskem é uma gigante do setor petroquímico brasileiro. E a Braskem é uma empresa que, com um histórico, digamos, enrolado com outros casos, porque, primeiro, a questão do próprio modelo do negócio dela é muito questionada sobre a viabilidade. Dados do negócio que ela faz, ela é uma empresa com uma operação gigante. A Braskem, ela se enrolou, por exemplo, com a questão da operação Lava Jato, ela traz. Depois disso, aquela questão em Marceo, de afundamento, de parte de um bairro, até mais de um bairro. A gente está falando de uma empresa com cerca de 8 mil trabalhadores. Ela tem plantas industriais, além daqui no Brasil, México, Alemanha, Estados Unidos e escritórios comerciais em 13 países.
**Natuza Nery** (3:37)
Entre as justificativas para o cenário estão os juros altos, o crédito restrito e as crises individuais de cada setor.
**SPEAKER_6** (3:45)
Selic é sistema especial de liquidação e custódian. Pode chamar de taxa básica de juros mesmo. Na prática, são os juros que os bancos cobram uns dos outros para emprestar dinheiro entre eles. Isso afeta quase tudo. Como que é isso? Se a Selic sobe, o crédito fica mais caro, as empresas pegam menos empréstimos, investem menos, contratam menos e o consumo esfria. Isso funciona para conter a alta da inflação, por exemplo. Agora, se a Selic cai, é o contrário.
**Natuza Nery** (4:14)
E tem mais um sinal de alerta. O volume de empresas que não conseguiram se reestruturar e foram à falência, bateu recorde em 2025 Os dados levantados pela consultoria RGF, para o jornal Valor Econômico, mostram que cerca de 30% das empresas que encerraram sua recuperação judicial no período, simplesmente faliram.
Da redação do G1, eu sou Natusa Neri e o assunto hoje é Casas Bahia, Braskem e a onda de recuperações judiciais pelo Brasil. Neste episódio, duas jornalistas do jornal Valor Econômico. Primeiro, eu converso com Estela Fontes, editor assistente e especialista nesse tipo de cobertura. Depois, com Adriana Matos, repórter especial do valor para varejo, indústria e consumo. Terça-feira, 25 de agosto.
Bom, Estela, eu vou começar essa nossa conversa citando um levantamento que foi publicado pela Folha de São Paulo. Esse estudo foi realizado pela consultoria RGF Associados. O estudo diz o seguinte, que entre o segundo trimestre de 2023 e o deste ano, agora 2026, os pedidos de recuperação judicial cresceram mais de 60%, foram mais de 6 mil casos, melhor dizendo. O número de recuperações extra judiciais para o mesmo período, que foi de 2023 no segundo trimestre até agora, até este ano, houve um número bastante alto também. Explica para a gente a diferença de uma recuperação judicial, um pedido de recuperação judicial, e um pedido de recuperação extrajudicial.
21 more minutes of transcript below
Thousands of transcripts fetched by people building searchable podcast archives
Try it now — copy, paste, done:
curl -H "x-api-key: pt_demo" \
https://spoken.md/transcripts/1000651996090
Works with Claude, ChatGPT, Cursor, and any agent that makes HTTP calls.
From $0.10 per transcript. No subscription. Credits never expire. Prices exclude VAT, added at checkout for EU customers. Not what you expected? Email us within 14 days with 20 or fewer credits used and we refund the pack in full.
Using your own key:
curl -H "x-api-key: YOUR_KEY" \
https://spoken.md/transcripts/YOUR_EPISODE_ID