**Natuza Nery** (0:12)
Em 1958, o Brasil descobriu o gosto de ser campeão de uma Copa do Mundo. A primeira estrela na camisa veio na Suécia, colocando fim ao trauma do Maracaná.
Depois vieram o bicampeonato em 1962 e o tri em 1970 Na Copa, que levou o verde e o amarelo a TV em cores, Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino e Carlos Alberto consagraram o Brasil como a maior potência das Copas.
**SPEAKER_2** (0:46)
Jair era 10 no Botafogo, Pelé era 10 no Santos, Rivelino era 10 no Corinthians, Gerson 10 no São Paulo, Tostão 10 no Cruzeiro. Era um futebol de arte, né?
**Natuza Nery** (0:57)
Mesmo quando não levava a taça, a seleção mantinha o legado e continuava sendo referência para nós e para o mundo todo. Em 1982, Zico, Sócrates, Falcão e Companhia Limitada fizeram o planeta se apaixonar pelo futebol brasileiro.
**SPEAKER_3** (1:14)
Cruzamento para Zico, bateu!
**SPEAKER_4** (1:18)
Falcão, Sócrates, olha como sai bonito.
**SPEAKER_3** (1:22)
Tudo bonito.
**SPEAKER_4** (1:23)
Vai embora, Falcão, vai para a Grande Área, faz o seu também, olha aí!
**Natuza Nery** (1:33)
O jejum de 24 anos acabou em 1994
Éramos os únicos tetracampeões. E chegamos à final em 1998
**Paulo César Vasconcellos** (1:43)
Zidane!
**SPEAKER_6** (1:46)
É do título inédito do futebol francês.
**Natuza Nery** (1:50)
Só o Brasil podia ser penta. E fomos em 2002 com Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos.
Parecia o começo de uma nova era, mas a última estrela parou ali. Desde então, a seleção não voltou a disputar uma final. E o momento mais doloroso de todos veio em casa. O 7 a 1 para a Alemanha em 2014
**SPEAKER_6** (2:24)
Olha a bala tocada, virou passeio.
As lágrimas do menino ainda não entende direito exatamente o que seja o futebol e uma movimentação tática de euco de campo. E não consegue entender por que com 25 minutos a Alemanha ganha por 4 a Goal da Alemanha.
**Natuza Nery** (2:45)
Mais uma vez, o Hexa fica para a próxima.
**SPEAKER_6** (2:47)
Termina o sonho do Hexa. Se repete a história de 2006, 2010, 2018 e agora em 2022
**Natuza Nery** (2:56)
O maior campeão do mundo do seu período mais longo de seca.
**SPEAKER_6** (3:02)
Aí não!
**SPEAKER_4** (3:09)
O futebol da Noruega e acabou cedo demais. A gente vai agora para o maior período sem um título. Serão 28 anos.
O Brasil nunca ficou seis copos do mundo sem ganhar. A história do futebol brasileiro não merece o que está acontecendo aqui.
**SPEAKER_3** (3:27)
Dia da eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo, o nosso anselote está triste.
**SPEAKER_7** (3:32)
A derrota para a Noruega expôs como a seleção brasileira anda distante do próprio DNA.
**Natuza Nery** (3:40)
Da Redação do G1, eu sou Natuzaneri, e o assunto hoje é Por que o Brasil não ganha mais copa? Neste episódio, eu converso com Paulo Vasconcelos, jornalista esportivo e comentarista na EsporTV.
Terça-feira, 7 de julho.
PC., eu quero analisar contigo o nosso fracasso ao longo de 24 anos e tentar entender contigo como é que a gente vai superar esse gosto amargo até 2030 Mas eu quero falar de estrutura. Menos do jogo que nos tirou da Copa e mais do que está nos levando a esse quadro dramático de infelicidade, posso dizer assim. A gente tem alguns sintomas, mas também tem causas bastante estruturais. Fuga das chuteiras e chuteiras pouco usadas aqui no Brasil, ou seja, muitos jogadores jovens indo embora. A gente tem um problema de desorganização, disputa política, escândalos por quem organiza. O nosso futebol, a CBF, a gente tem um problema de não conseguir constituir uma liga, como fazem França, Alemanha e por aí vai.
**Paulo César Vasconcellos** (5:03)
Por onde você quer começar?
**Natuza Nery** (5:04)
Fuga de chuteiras.
**Paulo César Vasconcellos** (5:06)
Essa exportação de pele-obra, nesse século, ela se intensificou de maneira muito acentuada e você tocou num ponto que é muito interessante. Você tem, hoje, jogador vestindo a camisa da seleção brasileira que não fez o circuito Morumbi-Pacaembu, Maracanã, Minerão, Fonte Nova e Iberahio, o Olímpico. Ele não fez esse circuito. Ele simplesmente não tem essa intimidade com o que é o brasileiro no estádio, porque alguns saem na adolescência, outros na pré-adolescência, e aí fica-se esperando o tempo adequado para, enfim, poder começar a atuar num clube. E é óbvio que isso impacta na formação e isso, ao mesmo tempo, tem um efeito no vínculo.
**Natuza Nery** (5:59)
O vínculo afetivo, né? Da seleção dos jogadores.
**Paulo César Vasconcellos** (6:03)
Exatamente. Com esse vínculo afetivo, fica distante. E, além de tudo, nessa obsessão da exportação de pés de obra, o Brasil decidiu o seguinte, nós vamos exportar jogadores que atuam pelo lado do campo. Aí você tem uma proliferação, Natosa. Você tem de grandes nomes, como Vinícius Júnior, Rodrigo, até nomes altamente promissores, como o do Estevam, aí você tem o Luiz Henrique, porque houve uma obsessão seguinte, o que o mercado quer? Ah, o mercado quer pés de obra que atua pelo lado direito ou pelo lado esquerdo do campo. Então, vamos mostrar para o mercado que ninguém mais do que nós sabe abastecer esse mercado com esse perfil. E aí, sabe o que aconteceu? Os europeus pararam e falaram assim, tudo bem, esse mercado brasileiro nos abastece com esse tipo de jogador. Nós precisamos ter pensadores. Os pensadores formamos nós. E é o que está acontecendo e impacta diretamente na seleção brasileira, Natusa.
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