**Victor Boyadjian** (0:01)
Pensa numa reunião de condomínio com 193 apartamentos representados. Todos têm direito a opinar, mas na hora da decisão final, apenas cinco têm poder de veto e podem anular qualquer decisão da maioria. É mais ou menos assim que a ONU vai escolher o seu próximo secretário-geral, que é o síndico desse condomínio. O mandato do secretário-geral da ONU dura cinco anos e ele pode ser reeleito uma única vez. E foi o que aconteceu com o António Guterres, que vai terminar o seu décimo ano como secretário-geral da ONU no fim de 2026 A eleição para quem vai suceder o atual secretário-geral vai ter nesta quinta-feira um ponto de partida mais definido.
Esse é um processo que começou lá atrás com a apresentação dos candidatos para a vaga. Os países formalizam nomes.
Depois, os indicados enfrentam debates públicos em um processo que já leva vários meses e que depende de uma grande campanha interna de convencimentos e coalizões entre os países. Mas os momentos mais importantes acontecem a portas fechadas.
**SPEAKER_2** (1:07)
Não existe uma data específica para a votação para eleger quem liderará a secretaria-geral, mas existem alguns prazos. Por exemplo, o Conselho de Segurança da ONU, que é formado por 15 países, se reunirá e aí escolherá um desses candidatos para recomendar. São necessários pelo menos nove votos a favor e nenhum veto daqueles cinco membros permanentes do Conselho, que são a China, Estados Unidos, Rússia, França e Reino Unido. Na sequência, a Assembleia Geral, com seus 193 integrantes, votarão para definir se aceitam ou não a recomendação feita pelo Conselho de Segurança. E isso poderia ser em algum momento entre julho e outubro.
**Victor Boyadjian** (1:50)
Esta quinta-feira é o dia da primeira votação no âmbito do Conselho de Segurança da ONU. Chamada em inglês de Stroll Poll, é o primeiro teste de fogo dos candidatos. Cada representante dos 15 países do Conselho tem três opções para colocar no envelope das candidaturas. Se encoraja, se não encoraja ou se não tem opinião. A lógica é a seguinte. Quem recebe muitas negativas percebe que tem poucas chances de levar e pode desistir.
A cada rodada, os candidatos vão abandonando, até chegar a um único nome. Mas tem um detalhe. O candidato não pode receber nenhum veto dos cinco membros com assento permanente no Conselho de Segurança. Não há uma obrigatoriedade para que haja uma rotação na nacionalidade do secretário-geral, mas sim um acordo informal. Então, o secretário atual, António Guterres, é de Portugal, da Europa.
Por essa rotatividade informal, o próximo candidato seria da América Latina. Não há um favorito, claro, mas quem acompanha de perto diz que há uma crença generalizada de que esta pode ser a vez de um representante da América Latina. E também uma mulher. Por isso, o nome de Michelle Bachelet desponta. A ex-presidente chilena é apoiada por países como Brasil e México. Bachelet defendeu o multilateralismo e disse que o próximo secretário-geral tem que ser alguém que previna conflitos. A Alemanha fez uma pergunta representando também o Brasil, Japão e Índia. Questionou sobre o que ela faria para uma reforma do Conselho de Segurança. Bachelet respondeu que esse é um papel que deverá ser desempenhado pelos países da ONU, mas que ela defende uma reforma para que o Conselho reflita o mundo de hoje, com mais representatividade e eficiência.
Outro latino-americano no páreo é o argentino Rafael Mariano Grossi, que propõe uma ONU, palavras dele, com menos gordura e mais músculo, com menos burocracia e mais capacidade de mediar conflitos.
**SPEAKER_2** (3:48)
O Rafael Grossi comanda a Agência Internacional de Energia Atômica. Com um perfil técnico, começou a ficar conhecido durante as crises das guerras da Rússia, com a Ucrânia e dos Estados Unidos, com o Irã.
Ele é respaldado por seu compatriota, o presidente Milley, de direita. Grossi tem a simpatia também, olha só que diferença, do líder russo, Vladimir Putin, e também de Trump. E é visto como uma figura de consenso que não vai criar problemas, nem para a Casa Branca, nem para o Kremlin.
**Victor Boyadjian** (4:17)
Completam a lista de candidatos. Maria Fernanda Espinosa, do Equador, Rebecca Grinspan, da Costa Rica, Mac Sol, do Senegal, Carolyn Rodrigues Burkett, da Guiana, e o diplomata Olara Otunuh, de Uganda, que formalizou a candidatura apenas no último domingo. Paralelo à eleição, o país que cedia a ONU tem hoje um governo que joga contra a organização.
Fora das regras do jogo, Donald Trump tentou mexer no tabuleiro, chegou a sugerir o presidente da FIFA, Jhany Infantino, para o cargo, segundo o jornal New York Post, e voltou a criticar o que chama de burocracia inchada da ONU. Antes, Trump já havia proposto a criação do Conselho de Paz, uma organização que esvaziaria o poder das Nações Unidas.
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