O colapso na trégua entre EUA e Irã artwork

O colapso na trégua entre EUA e Irã

O Assunto

July 9, 2026

Convidado: Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment, nos Estados Unidos. "Para mim, acho que acabou.
Speakers: Natuza Neri, Oliver Stuenkel
**Natuza Neri** (0:03)
Com essa frase, Donald Trump disse, para mim, está acabado. Mas Trump não disse só isso. Ele foi além sobre o Irã. Ele disse, não quero mais lidar com eles. Eles são a escória. Sabe que a escória? Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes. E são pessoas cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, a usariam.
No que me diz respeito, acabou. A declaração de Trump foi feita durante a cúpula da OTAN em Ankara, na Turquia, poucas horas depois de uma nova troca de ataques entre os dois países.
A tensão veio do Estreito de Ormuz.

**SPEAKER_2** (0:48)
Três cargueiros foram atacados no Estreito. Logo depois, outros navios começaram a dar meia-volta para atracar em portos do Golfo Péssico e evitar a passagem.

**Natuza Neri** (1:00)
Os Estados Unidos prontamente reagiram com novas medidas contra o petróleo iraniano. E na sequência, bombardearam alvos militares do país. A resposta de Terã também veio rápida. Bases americanas no Bahrein e no Kuwait foram atingidas.
De repente, um acordo que já era considerado muito frágil foi colocado novamente em cheque.

**SPEAKER_3** (1:23)
Donald Trump vem repetindo sempre que pode que essa guerra foi um sucesso, mas a guerra ainda não terminou, pelo contrário, a intensificação dos ataques. O acordo nuclear está cada vez mais distante, ainda mais com isso que com esses novos ataques. A notícia, no entanto, foi que não deu nem um mês que os Estados Unidos e o Iran assinaram aquele memorando de entendimento e esse cessar-fogo já começa a evaporar.

**Natuza Neri** (1:46)
Não é a primeira vez que Trump endurece o discurso e depois faz o caminho de volta à presença do diálogo. Desde abril, Estados Unidos e Iran vivem uma dança de avanços e recursos. Em junho, Washington e Tehran anunciaram um acordo para interromper os bombardeios e negociar o programa nuclear iraniano.

**SPEAKER_4** (2:04)
Iran e Estados Unidos concordaram em interromper as hostilidades, o memorando de entendimento, também sobre um acordo definitivo para o fim da guerra.

**Natuza Neri** (2:15)
Ocorre que esse memorando era provisório e dependia da continuidade desse diálogo. Mas essa nova troca de ataques acaba reacendendo as acusações de lado a lado e tornando tudo mais difícil.

**SPEAKER_5** (2:28)
Forças americanas atingiram de alvos no Irã. O Pentágono afirma que foi uma resposta a ataques iranianos contra navios comerciais que passavam pelo Estreito de Ormuz. Os dois lados acusaram um ao outro de violar o cessar fogo, que está em vigor tem três semanas.

**Natuza Neri** (2:46)
Essa nova escalada se desenrola enquanto o Irã realiza o funeral do Ayatolah al-Ikhamenei. No cortejo em Tehran, a multidão vestida de preto caminha ombro a ombro, intuando pedidos de vingança e gritos contra os Estados Unidos.

**SPEAKER_6** (3:00)
Um coro de morte à América e coro.

**Natuza Neri** (3:09)
E há um detalhe importante no meio dessa crise.

**SPEAKER_7** (3:12)
O governo iraniano planejou um funeral superlativo para tentar mostrar força e unidade. A morte de Kamenei não provocou a mudança de regime que os Estados Unidos esperavam.
O filho dele, Mojtaba Kamenei, foi escolhido como sucessor. Ferido num bombardeio, ainda não apareceu em público. A comoção provocada pelo funeral é mais um sinal de que a guerra pode ter fortalecido um governo que vinha sendo contestado pelo próprio povo.

**Natuza Neri** (3:46)
Para muito além dos símbolos, há um outro reflexo imediato de tudo isso. A economia global entrou novamente em pânico. O petróleo já subiu, as bolsas desabaram e o temor do mercado financeiro é de que o conflito atinja novamente a temperatura de antes em relação ao estreito de Ormuz.

**SPEAKER_3** (4:04)
O estreito de Ormuz é uma artéria da economia global e uma arma de guerra do Irã. Liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo. É uma faixa marítima rasa e estreita.
Cerca de 20% de toda a produção do mundo, uns 15 milhões de barris, passam por ali todos os dias, além de 25% do gás natural.

**Natuza Neri** (4:25)
O que era uma tentativa de retomar o diálogo agora divide espaço com uma nova escalada militar. Da Redação do G1, eu sou Natuza Neri e o assunto hoje é Estados Unidos e Irã voltam a pressionar o mundo. Neste episódio, eu converso com Oliver Stunkel, professor de Relações Internacionais da FGV, pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment. Quinta-feira, 9 de julho.
Oliver, a gente já viu esse filme antes. E por isso é inevitável te perguntar, é blefe do Trump ou de fato agora a coisa piorou muito do cenário?

**Oliver Stuenkel** (5:07)
Bom, o acordo que foi negociado, o cessanfogo, que foi negociado em abril e que foi estendido por 60 dias em junho, já nasceu frágil, porque no fundo o cessanfogo previa que o Irã deixaria os navios passar livremente pelo Estreito de Hormuz e os Estados Unidos encerrariam o bloqueio naval contra portos iranianos e permitiriam que o Irã pudesse vender petróleo em dólar. O grande problema sempre foi que esse cessarfogo foi muito vago, não tinha muitos detalhes e agora a gente está vendo que um dos detalhes chave, qual é exatamente a rota de navegação dos navios que passam pelo Estreito, quem realmente manda no Estreito de Hormuz, tudo isso não tem solução. E como há uma baixíssima confiança mútua entre os atores, estamos vendo agora novamente uma tensão militar com ataques mútuos. Trump certamente não quer entrar novamente no conflito, está muito pressionado economicamente nos Estados Unidos, poucos meses antes das eleições de meu mandato. E o Irã sente fraqueza, sente que consegue criar um presidente e se posicionar claramente como a nação que manda no Estreito de Hormuz, ditando exatamente quem passa por onde passa e se vai cobrar um pedágio. Então Trump está numa situação difícil, mas terão aposta que ele está muito fragilizado e provavelmente simplesmente aceita um acordo que dá ou terá mais poder, porque quer preservar as suas chances, ou as chances do Partido Republicano nas eleições de meu mandato em novembro. Então uma guerra aberta, uma retomada da guerra atualmente parece pouco provável.

12 more minutes of transcript below

Feed this to your agent

Try it now — copy, paste, done:

curl -H "x-api-key: pt_demo" \
  https://spoken.md/transcripts/1000651996090

Works with Claude, ChatGPT, Cursor, and any agent that makes HTTP calls.

From $0.10 per transcript. No subscription. Credits never expire.

Using your own key:

curl -H "x-api-key: YOUR_KEY" \
  https://spoken.md/transcripts/1000776062194