Topics: Comedy Fiction, Fiction
**Déia Freitas** (0:30)
Eu cheguei para um Luz Arceza e hoje eu vou contar para vocês a história da dona Vera. Essa história aconteceu quando dona Vera tinha lá pelos seus 13, 14 anos.
Então vamos lá, vamos de história.
Vera estava brincando na rua, uma meninota adolescente brincando de bola ali com suas amigas da mesma idade. Quando ela deu um mau jeito lá, caiu e acabou quebrando o pé.
Correram com Vera para o pronto-socorro. Todo mundo ali muito pobre, enfim, né? Deram um jeito, conseguiram um carro ali emprestado, né? Alguém dar carona. Ela ia ficar deitada ali um tempo em repouso para ver o que ia acontecer com aquele pé, para depois botar o gesso. Isso aconteceu umas quatro horas da tarde, então ela só no dia seguinte de manhã que eles iam botar o gesso. Então ela ia ficar com o pé imobilizado, em observação para o dia seguinte botar o gesso e ela sair daquele hospital. Um hospital pequeno, cidade de interior, né? Viva o SUS. Detalhe, não era nem SUS, era Inampes. Eu sou da época do Inampes. Era o hospital municipal ali, da cidade. Verinha estava muito angustiada, uma adolescente ia ter que passar a noite no hospital. A mãe dela ia poder ficar com ela, então vamos botar o nome aí, Dona Ângela. Ia poder passar a noite ali com Verinha, mas é aquela coisa, né? Hospital meio precário, ela ia ficar ali numa maca, a mãe sentada numa cadeira, enfim, perrengue.
Verinha não conseguia dormir, ela estava incomodada de estar naquele ambiente novo, mas chega uma hora que o seu corpo vence e você adormece. Eram macas no quarto e tinha três macas. Verinha, perto da porta, uma maca vazia no meio e lá perto da janela tinha um homem que estava muito ruim. Muito ruim, gemendo. Uma mulher, assim, que estava sentada numa cadeira, meio chorando, já me pegou, porque assim, misto esse quarto, né?
E era um senhor bem de idade, baixinho, cabelo bem branco, enfim. Dona Ângela nem perguntou nada, né? Porque assim, né? Parecia que o cara estava partindo. Verinha adormeceu e ela teve um sonho. Perto da casa dela tinha uma praça, tinha um jardim, assim, uma praça com jardim e era a própria população que cuidava ali do jardim, podava, né? Sempre tem um vizinho que poda. Nesse sonho, tinha umas flores ali e conforme ela ia andando nessa praça, as flores que estavam ali, elas iam murchando e morrendo. Verinha muito assustada, mas ainda nesse sonho, tentando entender. E ela falava para os amigos, por que as flores estão morrendo? De repente, ela viu uma criatura, uma coisa estranha nesse sonho. Ela estava andando, na frente dela, apareceu um vulto, uma coisa estranha. Ela assustou e olhou ali para os amigos. Tinha muitos amigos e falou, meu Deus, o que é isso?
**SPEAKER_2** (3:54)
Será que é isso que está apodrecendo as flores?
**Déia Freitas** (4:00)
Ao mesmo tempo que essa criatura apareceu no sonho da Verinha, ela escutou a voz da mãe dela falando, Verinha, cor, cor, cor. Nisso, a Verinha despertou. Ela estava com uma tala, não era um gesso ainda, deitada de barriga para cima. Quando ela abriu o olho, tinha um homem. Um homem muito alto, muito branco, com a boca muito enrugada. Sabe quando tem aquelas rugas em volta do lábio, assim, com um sorriso maligno, e ele tinha na cabeça um chapéu preto.
Camisa preta, um palitó preto, mas ele tinha um chapéu grande, preto. Na hora, Verinha assustou e gritou mãe. Quando ela gritou mãe, ela viu que Dona Ângela estava no quinto sono, torta, na cadeira, dormindo, roncando. Então, não tinha como ter sido a Dona Ângela que chamou esse homem idoso com um olhar muito maligno, uma risada muito maligna, e de repente sumiu. Ela acordou e ele estava muito perto do rosto dela. Observando, o quarto estava escuro, mas não estava totalmente escuro. Assim, hospital, né? Ela olhou para o lado, aquela senhora que estava chorando, estava dormindo, só que o senhorzinho que estava na cama, passando mal, estava com as mãos, assim, torcidas, assim. Sabe quando você meio que tenta fechar a mão e não consegue, ela fica meio fechada, meio aberta? Com os braços para cima e a boca muito aberta. E ela gritou.
As duas mulheres acordaram ali, dona Angela e outra senhora, e aí a outra senhora começou a gritar, porque o senhorzinho tinha morrido.
A Marinha contou para a mãe o que ela tinha visto. E Dona Ângela falou.
**SPEAKER_2** (6:05)
Minha filha, eu acho que você viu a morte.
**Déia Freitas** (6:09)
Não fazia muito sentido assim, porque era algo muito ruim. Na cabeça da velhinha ainda, uma adolescente. Na minha cabeça também acho que funciona assim. A morte seria meio neutra, não seria algo ruim, sabe, se existisse Se fosse uma. entidade morte, eu acho que ela não seria maligna. Ela seria, estou aqui fazendo meu trabalho, é meu trampo.
9 more minutes of transcript below
Thousands of transcripts fetched by people building searchable podcast archives
Try it now — copy, paste, done:
curl -H "x-api-key: pt_demo" \
https://spoken.md/transcripts/1000651996090
Works with Claude, ChatGPT, Cursor, and any agent that makes HTTP calls.
From $0.10 per transcript. No subscription. Credits never expire. Prices exclude VAT, added at checkout for EU customers. Not what you expected? Email us within 14 days with 20 or fewer credits used and we refund the pack in full.
Using your own key:
curl -H "x-api-key: YOUR_KEY" \
https://spoken.md/transcripts/YOUR_EPISODE_ID