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As armas do Brasil na guerra comercial de Trump

O Assunto

July 29, 2026

Convidada: Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, em Washington (EUA).
Speakers: Victor Boyadjian, Donald Trump, Monica de Bolle
**Victor Boyadjian** (0:01)
Se o comércio internacional fosse uma mesa de negociação, o Brasil teria acabado de puxar a cadeira para uma conversa que pode durar anos. O governo brasileiro viu os Estados Unidos de Donald Trump imporem tarifas, uma após a outra, contra produtos exportados daqui para os americanos. Agora, a Brasília decidiu levar a questão até a Organização Mundial do Comércio. É o primeiro passo de uma batalha diplomática que começa em Genebra, mas pode ter impacto direto em quem produz, exporta e vende aqui no Brasil.

**SPEAKER_2** (0:32)
O Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota e afirmou que o Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com as obrigações dos Estados Unidos no âmbito do acordo geral sobre resolução de controversas da Organização Mundial do Comércio. A OMC, vale lembrar, ela serve para fazer a mediação de conflitos comerciais internacionais, mas está esvaziada justamente porque Donald Trump ainda, no primeiro governo, deixou de indicar representantes.

**Victor Boyadjian** (1:00)
Essa história começou em abril de 2025 No chamado Dia da Libertação, Donald Trump anunciou uma tarifa extra de 10% sobre os produtos importados de dezenas de países, entre eles o Brasil.

**Donald Trump** (1:13)
Meus queridos americanos, este é o dia da libertação.

**Victor Boyadjian** (1:16)
Mas o Brasil era um alvo preferencial e recebeu taxação adicional de 40%.
No caso do aço e do alumínio foi ainda pior, 50% de sobretaxa. Foi nesse episódio que Trump incluiu o clã Bolsonaro na conversa. Ele justificou o tarifasso ao Brasil com o que chamou de caça às bruxas da justiça brasileira contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, resultado da articulação de um dos filhos do ex-presidente, o então deputado federal, Eduardo Bolsonaro, que depois viria a ter seu mandato caçado.

**SPEAKER_4** (1:46)
Nos últimos meses, temos mantido intenso diálogo com autoridades do governo do presidente Trump, sempre com o objetivo de apresentar com precisão e documentos a realidade que o Brasil vive hoje. A carta do presidente dos Estados Unidos apenas confirma o sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando com seriedade e responsabilidade.

**Victor Boyadjian** (2:06)
Meses mais tarde, parte dessas medidas caiu por decisão da Suprema Corte americana, mas naquela carta, Trump também ordenou uma investigação contra práticas supostamente desleais da economia brasileira. E o alívio durou pouco.
Em julho deste ano, essa investigação, estimulada pelo clã Bolsonaro na Casa Branca, chegou a uma conclusão. Os Estados Unidos decidiram pôr nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros. E não acaba aí. Ainda neste mês, o governo Trump aplicou sobretaxa de mais 12,5%. A alegação é que o Brasil, assim como outros países, falha no combate ao trabalho forçado.

**SPEAKER_5** (2:47)
Uma dupla taxação com intervalo de poucos dias. Para alguns setores, a tarifa de 25% agora se junta a de 12,5%.
Com isso, a taxa fica em 37,5% nas exportações, quando o destino forem os Estados Unidos. É o caso de confecções, máquinas e equipamentos e calçados. 20% da exportação calçadista brasileira vão para os Estados Unidos. O setor que já projetava a queda com a primeira taxa, hoje refez os cálculos.

**SPEAKER_6** (3:21)
O que acontece é que pelo peso dos Estados Unidos, aumentou de 3,6% para mais de 7% a queda na exportação.

**SPEAKER_7** (3:31)
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria mostra que quase 4 mil produtos brasileiros terão tarifa combinada de 37,5%, com impacto total estimado em 12 bilhões e 400 milhões de dólares. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços estima que 16,5% das exportações brasileiras para os Estados Unidos vão ter as duas tarifas.

**SPEAKER_5** (3:58)
Alguns itens estratégicos para a economia americana continuam isentos. É o caso do café, da carne e do suco de laranja. Segundo este economista da Fundação Getúlio Vargas, o foco dos americanos é afastar competidores.

**SPEAKER_8** (4:15)
Setores que podem oferecer concorrência a setores que já existem ou que os Estados Unidos gostar de desenvolver dentro da sua economia. É uma política protecionista com o intuito de reindustrializar a economia.

**Victor Boyadjian** (4:29)
O governo brasileiro criticou as medidas da Casa Branca e reagiu. Da porta para dentro, o Palácio do Planalto preparou um pacote de R$ 18 bilhões para socorrer os setores afetados.

**SPEAKER_9** (4:41)
O governo federal começou uma série de reuniões com os setores prejudicados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

**SPEAKER_4** (4:49)
O governo pretende mapear os efeitos da sobretacha sobre a produção, o emprego e contratos de exportação. E também identificar quais instrumentos de apoio poderão ser acionados. Um comitê será criado para definir a distribuição dos recursos e as regras para cada setor. O governo estima que entre mil e 1.4 empresas possam participar do programa.

**Victor Boyadjian** (5:10)
Já nas relações exteriores, o governo foi à Organização Mundial do Comércio para pedir que decida se as sobretachas americanas respeitam as regras de comércio. Mas se trata de um processo que pode levar anos.

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