**Cristina Junqueira** (0:00)
Olá, eu sou a Cris Junqueira e eu vou te mandar um áudio.
Esses dias eu comentei que eu estava sentindo, já tinha um tempo que eu estava precisando, até uma boa chorada. E eu não sei se vocês sentem isso, às vezes, já faz semanas, talvez mais de dois meses que eu estou sentindo que vai vir, assim. Só que a hora começa a vir, muitas vezes. No dia que eu comentei era isso, eu penso assim, agora não dá. Agora eu não tenho tempo para chorar não, não dá. Vamos chorar outra hora porque às vezes eu estou indo para algum lugar, ainda tem outras reuniões no dia, ou estou cheia de gente em volta, ou estou com as crianças em volta e tal. E eu falo assim, não gente, agora não dá para chorar não. Engole o choro aí, segure o choro aí, porque vou ter que me programar para dar a sua chorada, porque não vai ser qualquer hora não, não dá. E eu também falei que chorar é normal, ainda mais a gente que é mulher, que é mãe, que trabalha, que tem um monte de coisa sobre a nossa responsabilidade, que a gente trabalha, filho, é casamento, é casa. Às vezes são outras coisas da família, tanta coisa que pode estar acontecendo na nossa vida, e a gente está tentando se cuidar, cuidar da saúde, cuidar de todo mundo que está em volta. Assim, chega uma hora que é difícil, né? Brinquei e falei, olha, se você está tentando fazer isso tudo e nunca se pegou chorando, nunca se trancou no banheiro para chorar, você não está fazendo do jeito certo, porque é normal, é normal. Engraçado que muitas vezes a gente, a gente inclusive vai chorar o quê? No banho, porque aí você já economiza o tempo, entendeu? Você já chora no banho, já lava, já sai com a cara menos enxada, já é teoricamente um lugar que você está sozinha, então ninguém precisa ver. A gente tem que pensar nisso também, principalmente quem tem filho. Você não quer chorar de algum jeito na frente das crianças. Embora chorar seja normal, e não me entenda, mas eu sou uma pessoa que chora muito, sou muito chorona, eu choro por causa de qualquer coisa, uma propaganda mais bonitinha, já estou chorando, livro, choro, filme, eu choro. Eu tenho uma sensibilidade para essas coisas muito fortes, tanto que filme triste, eu já nem assisto mais.
Eu já desisti, porque já teve vez de eu assistir filme um pouco mais triste, às vezes com uma história de perda, de não sei o quê, quando tem criança, então deu para ficar passando mal, passando mal dias de tanto que eu sofri, chorei do filme. Então, eu choro bastante. E não é sobre não mostrar vulnerabilidade, não é sobre ninguém poder te ver chorando, pelo contrário. Se eu me emociono com alguma coisa, um filme, alguma coisa, não tem problema nenhum, não tem problema nenhum dos meus pais me verem chorando, das outras pessoas me verem chorando. É uma emoção.
Inclusive, uma coisa que é importante dizer, porque tem gente que fala assim, ah, porque eu nunca vi meus pais chorarem, aí hoje eu não me dou permissão para chorar, para sentir uma emoção, não é sobre isso. Então, assim, uma criança te vê, um filho te vê, numa situação de emoção. É de se emocionar e chorar, seja uma emoção positiva, que muitas vezes é, ou uma emoção negativa no sentido de, poxa, um falecimento de alguém, tudo bem, qual que é o problema? O problema é você se colocar numa situação de a criança sentir que ela precisa cuidar de você. É uma inversão de papéis. Ela te vê tão abalada, tão descontrolada, sem ver o motivo que está levando aquele choro, porque muitas vezes essa angústia que a gente tem, por exemplo, no meu caso, é um acúmulo de coisas que eu estou sentindo, que eu estou vivendo, que eu não tenho como explicar para uma criança. Não é que nem falar assim, filho, a mamãe está triste, eu estou chorando aqui, porque eu estou com muita saudade do vovô, que não está mais aqui com a gente, por exemplo. Isso, uma criança entende, ela vai falar, realmente, está tudo bem. Agora, a criança vê você completamente abalada por algo que você sequer consegue explicar. Você é o mundo para aquela criança, você precisa ser a fortaleza dela. Já falei muito sobre isso aqui, sobre essa questão da inteligência emocional, de a gente ser o exemplo na frustração para os nossos filhos. Uma das piores coisas que a gente pode fazer pelos filhos é transmitir essa angústia para eles. De ver assim, cara, minha mãe está completamente arrasada, descontrolada, e eu me sinto, como criança, muito inseguro, desprotegido, vulnerável, se minha mãe não está bem. Você entende? Então, acho que tem que ponderar. A gente precisa ser a fortaleza da nossa família, dos nossos filhos, principalmente.
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