**Cristina Junqueira** (0:00)
Olá, eu sou a Cris Junqueira e eu vou te mandar um áudio.
Tem uma frase que eu ouvi de um amigo, uma vez, que dizia que os nossos filhos nos salvam do nosso próprio egoísmo. E eu achei brilhante essa frase, porque de fato, quem tem filho sabe que uma vez que existe uma criaturinha que depende de você para tudo, cuja existência é contingente a você sustentar, não sustentar financeiramente, mas cuidar em absolutamente todos os aspectos, sustentar a existência dessa criatura, você sabe o tamanho da doação que isso implica, o quanto que isso se torna a sua prioridade, isso se torna a coisa mais importante que a gente tem para fazer, isso implica uma série de sacrifícios e de colocar as nossas próprias necessidades em segundo plano.
Quem nunca, eu tenho infinito exemplos disso, mas o clássico é, eu estou morrendo de cansaço, estou doida para descansar, e aí uma das minhas filhas fala, mas eu quero mais uma historinha, mas eu quero... E você vai fazer, você vai fazer, primeiro porque esses momentos passam muito rápido e daqui a alguns anos você vai se arrepender tanto de não ter contado mais uma historinha, de não ter dado mais um beijinho, de não ter dado mais um abraço, mas isso é outro assunto, mas você vai fazer porque você sabe que a necessidade daquela criança é mais importante que a sua. E você vai se colocar em primeiro plano. E isso é um exercício diário, muitas vezes, múltiplas vezes ao longo do dia, de você se colocar em segundo plano e colocar os filhos, no caso, em primeiro plano. E isso, por definição, você sair de você mesmo, de viver para você mesmo e pensar no outro, é um exercício de abrir mão do egoísmo. Quando você vive para você, tudo o que importa é o que você quer, é o que você quer fazer, é o que você precisa, é o que você gosta, é o que você decidiu, é o que você quer. Isso é uma existência auto-centrada. Você está ali vivendo, mas os seus objetivos, as suas decisões, elas são 100% focadas em você, nas suas preferências, nas suas necessidades, enfim, no que você quer, nas suas vontades e tal. E os filhos fazem isso com a gente. Os filhos fazem a gente fazer esse exercício constantemente, todos os dias, múltiplas vezes ao dia, de não viver em torno das nossas vontades e necessidades e preferências. Até aí, eu acho que é fácil de entender as pessoas, porque as pessoas, em geral, entendem essa noção. O que eu acho que às vezes as pessoas esquecem, e muitas vezes as vezes vêm falar que todo mundo que não tem filho é egoísta. Não, gente! Não!
Tem outras maneiras de você exercitar isso. Não é só sobre filho. O filho te obriga, porque, em geral, pai e mãe têm esse amor incondicional pelos filhos, têm essa inclinação natural para fazer esses sacrifícios em nome dos filhos, mas não precisa ser os filhos. Pode ser um familiar que precisa de você, pode ser uma comunidade para a qual você se dedica, podem ser outras pessoas, pode ser o seu parceiro, seu esposo ou esposa, para quem você está se dedicando. O ponto é você sair de você. O ponto é você não viver completamente a mercê só das suas vontades. Esse é a armadilha do egoísmo. Então, a partir do momento que você encontra outra maneira de servir, de ser útil, de se dedicar, você também está fazendo isso. Não precisa ser só a maternidade ou a paternidade. Bom, para já você tem um exemplo das pessoas que têm vocação religiosa, que se dedicam, por exemplo, ao sacerdócio ou à vida religiosa, que não tem filhos e tem uma vida de serviço, de doação, de não viver para si mesmo. Então, não, a maternidade e a paternidade não são as únicas maneiras. São maneiras muito fáceis, entre aspas, de ter esse resultado, porque é muito difícil você ser pai e mãe, não colocar os filhos em primeiro lugar, mas não é de maneira nenhuma a única maneira. E a outra coisa que vale falar sobre esse assunto é que você conseguir fazer isso, por que importa você fazer isso? Porque a outra pergunta que alguém pode fazer é assim, tá bom, Cris, mas por que eu não posso viver para mim? Qual o problema? Qual é a necessidade de viver, de não se colocar em primeiro plano?
E aí minha primeira resposta é sempre, nenhuma. Cada um faz o que quer e arca com as consequências. Então, não estou aqui para falar para ninguém fazer ou deixar de fazer nada. Porém, o nome disso, o nome de você não viver para si mesmo e você assumir responsabilidade de você ser útil para os outros, se chama maturidade. Então, isso é uma maneira de a gente amadurecer.
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