**Cristina Junqueira** (0:00)
Olá, eu sou a Cris Junqueira e eu vou te mandar um áudio.
De vez em quando me perguntam se eu acredito em sorte.
Não tem como não acreditar em sorte. Tem muitas coisas que acontecem na nossa vida completamente alheias à nossa vontade, às nossas atitudes. E você pode chamar isso de diversos nomes, mas o fato é que tem um componente, de alguma maneira aleatório, em relação ao que acontece no mundo, tanto da sorte como da falta de sorte. Você está andando, dirigindo, você está de carro e uma pessoa que não tem nada a ver com você varar um sinal vermelho e bater no seu carro, que é uma falta de sorte que não tem nada a ver com você. Claro que você pode interpretar isso, ou, enfim, um episódio benéfico, também relacionado a alguma questão de sorte, com a providência divina. Quem tem fé muitas vezes acredita que é isso, que Deus tem um plano e todas as coisas ruins, inclusive, que acontecem no mundo, que Deus permite que aconteça porque ele tem um plano, porque tem um significado maior, de alguma maneira, não é? É uma mensagem difícil, mas que muitas vezes a gente precisa lembrar.
O fato é que ao que quer que você atribua origem de eventos aleatórios, vamos chamar, que acontecem e que impactam a nossa vida, eles existem. Eles vão ter um impacto na nossa vida, de uma maneira ou de outra, seja positiva ou seja negativa. Não tem como negar a existência deles, você entende?
O que começa a ficar perigoso? Começa a ficar perigoso quando você acha que tudo é sorte.
Então, qualquer pessoa que conquistou alguma coisa deu sorte, ela não teve um componente de esforço dela.
De estar preparada ali para aquela oportunidade que surgiu. Uma frase também que eu gosto de falar é que sempre que a sorte me encontrou, eu dei muita sorte, muita sorte. Eu estava preparada. Eu estava preparada para essa sorte se manifestar na minha vida. Então, certamente eu dei muita sorte, muita sorte, por exemplo, de ter conhecido o meu sócio Davi no momento que eu conheci. No momento que ele estava, que ele tinha tomado a iniciativa de começar uma empresa, já tinha na cabeça a visão do que viria a ser o Nubank, por exemplo, e já tinha começado a articular com os investidores uma primeira rodada de capital, de seed capital, que a gente chama. E tudo isso aconteceu de uma maneira completamente independente da minha existência. Completamente independente. Nada que eu tinha feito na minha vida até aquele momento teve nenhuma implicação para isso. Nenhuma, zero. Mas no dia que um conhecido nosso, um amigo nosso, nos apresentou e essa sorte se materializou na minha vida, de eu ter conhecido ele nesse momento, da gente ter sido apresentado naquele momento, eu estava preparada. Eu tinha uma experiência relevante, eu tinha uma formação relevante, eu tinha uma atitude positiva, eu tinha uma energia de querer fazer mais. Eu estava num momento da minha vida que eu também estava muito preparada para colocar muita energia, muito sacrifício, muito trabalho em cima de um novo projeto. Então, essa sorte que, sem dúvidas, eu tive, ela me encontrou preparada. Da mesma maneira que muitas outras coisas aconteceram na minha vida e me encontraram preparada. Então, não é sobre a existência ou não da sorte, ou de como quer que você queira chamar esses eventos aleatórios que muitas vezes acontecem. É sobre como a gente se prepara ao longo da vida para esses momentos, quando eles acontecem, serem o mais produtivos possível. E como a gente reage no momento em que eles aparecem. Porque, sim, eu tive essa sorte, sim, eu estava preparada, mas eu também poderia ter reagido de outra maneira. Eu poderia não ter tido coragem de abraçar essa oportunidade. Então, a gente tem que focar no que a gente pode controlar. E o que a gente controla é isso. É o quão preparado a gente está, quanto a gente vai se preparando ao longo da vida para poder abraçar as oportunidades, e na hora que elas se apresentam, como a gente reage. Então, não é sobre existir sorte ou não. Claro que existe sorte, claro, claro. Claro que eu tive sorte de ter nascido saudável, de não ter nenhum tipo de deficiência, de limitação física, por exemplo. Claro que eu tive sorte. Tive muita sorte, mas também soube aproveitar as oportunidades e me preparar para elas. E é nisso que a gente pode focar, porque ninguém pode acordar de manhã e falar assim, tá bom. Então existe sorte, então agora vou ter mais sorte. Não tem como a gente ter mais sorte, tá? Tem como a gente se preparar melhor para ela e reagir melhor a ela, tanto em relação a sorte, como em relação à falta de sorte. Tá bom?
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