**Natuza Nery** (0:02)
Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou qualquer medida corretiva, o governo dos Estados Unidos estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas para coletar depoimentos de pessoas interessadas, empresários, produtores, quem quiser contribuir com essa discussão a respeito dessa relação entre Brasil e Estados Unidos. No dia 6 de julho, é a realização dessa audiência pública para debater essas ações propostas e trazer também todas essas contribuições que foram entregues previamente.
**SPEAKER_2** (0:37)
Representantes do setor produtivo querem mostrar ao governo dos Estados Unidos que uma sobretaxa de 25% vai prejudicar não só empresas do Brasil, mas a indústria e os consumidores americanos.
**Natuza Nery** (0:50)
Essas audiências públicas sobre o novo tarifasso de Trump são praticamente a última oportunidade para que o Brasil consiga evitar o pior. Elas começaram na segunda-feira, seguiram pela terça e a decisão final vai vir até dia 15 de julho. Grandes empresas e representantes do setor produtivo brasileiro estiveram lá.
Mas não só. Na semana passada, Flávio Bolsonaro enviou uma carta ao escritório de comércio americano solicitando a sua participação nessa audiência.
**SPEAKER_3** (1:19)
No documento, Flávio Bolsonaro afirmou que pesquisas brasileiras de opinião pública mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu, precisamente, durante os períodos em que a pressão tarifária dos Estados Unidos foi mais evidente. Fala ainda que as tarifas propostas entregariam ao atual governo exatamente a vitória política que ele vem tentando construir.
Ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutualmente benéfica com os Estados Unidos.
**Natuza Nery** (1:56)
A surpresa foi que no documento, Flávio Bolsonaro pediu o adiamento das tarifas para depois das eleições e não a extinção da taxação. O presidente Lula aproveitou a deixa e virou a sua artilharia para o adversário, acusando-o de traidor da pátria. O desgaste do que foi escrito acabou exigindo um ajuste no discurso de Flávio. Durante sua fala em Washington, que durou quase cinco minutos, ele insistiu no argumento.
**SPEAKER_4** (2:22)
Flávio Bolsonaro disse ao governo dos Estados Unidos que em cerca de 90 dias o Brasil vai passar por um novo processo eleitoral.
E aí, nas palavras dele, a política brasileira vai ser inteiramente diferente e que, portanto, em pôr agora tarifas contra produtos brasileiros, vai acabar prejudicando aquelas pessoas que não são responsáveis pelos atos questionados pelo governo americano. E aí ele afirma, em determinado momento, que impor a tarifa de 25% vai penalizar toda a população brasileira.
**Natuza Nery** (2:59)
Mas depois, para jornalistas brasileiros, usou o termo cancelamento das tarifas e não mais adiamento delas.
**SPEAKER_2** (3:06)
A gente está pedindo cancelamento das tarifas ou apenas o adiamento para depois da eleição das tarifas?
**SPEAKER_4** (3:13)
Não quero o tarifas, só quem quer a tarifa é o Lula.
**Natuza Nery** (3:16)
Analistas dizem que a decisão de Trump sobre o tarifasso é muito mais política do que econômica. É verdade. Mas acontece que essas tarifas mexem e muito com o bolso de gigantes.
Empresas como a Coca-Cola, a Nestlé, a Tesla e o eBay também enviaram cartas tentando sensibilizar o governo americano. E elas alertam. A sobretacha vai desestruturar cadeias de suprimentos e aumentar a inflação para o próprio consumidor americano.
**SPEAKER_3** (3:44)
A Tesla afirmou que depende de insumos industriais vindos do Brasil para setores como veículos elétricos, baterias e robótica. A Nestlé pediu com café solúvel e colagem no bovino importados do Brasil fiquem livres das novas taxas. Já a Coca-Cola defende a manutenção da isenção dos sucos de laranja brasileiro e pede a inclusão do limão na lista de produtos livres de tarifas. O eBay, por sua vez, solicitou uma exceção para produtos usados e seminovos, alegando que a cobrança atingiria principalmente pequenos vendedores e consumidores de baixa renda.
**Natuza Nery** (4:16)
Empresários brasileiros também se mobilizaram.
**SPEAKER_2** (4:19)
Ainda nesta semana, equipes técnicas dos dois países devem se reunir para preparar uma última rodada de negociações entre ministros brasileiros e James Songria, representante de comércio dos Estados Unidos.
**SPEAKER_5** (4:32)
Esse é um desafio que nós estamos enfrentando de uma maneira muito preocupante e objetiva, já que os Estados Unidos é o mais importante parceiro de produtos manufaturados do Brasil.
**SPEAKER_6** (4:43)
Nós temos que continuar fazendo o nosso papel, que é negociando, discutindo, debatendo tecnicamente, demonstrando quais são de fato os interesses do país com o Brasil, os Estados Unidos tem superávit, que ele não tem com o resto do mundo. Então não se justifica.
**SPEAKER_2** (4:58)
A Confederação Nacional da Indústria calcula que se as tarifas adicionais de 25 e de 12,5% forem adotadas, mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o que representa quase 15 bilhões de dólares.
**Natuza Nery** (5:19)
Da Redação do G1, eu sou Natuzaneri e o assunto hoje é a espera de um novo tarifaço. As consequências econômicas para o Brasil e para os Estados Unidos, caso o Trump avance com as taxas. Neste episódio, eu converso com Daniel Souza, comentarista da Globo News, criador do podcast Petit Jornal e professor de economia do IBEMEC. Quarta-feira, 8 de julho.
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